Banqueiro Daniel Vorcaro relatou extorsão à namorada em mensagens, revela CPMI do INSS
Vorcaro relatou extorsão à namorada em mensagens da CPMI

Em uma troca de mensagens reveladora, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, confessou à sua namorada, Martha Graeff, que estava sofrendo uma extorsão em setembro de 2024. O diálogo, datado de 4 de setembro daquele ano, foi recuperado de documentos que estão sob análise da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Senado Federal.

O conteúdo das mensagens trocadas

Nos registros, o nome de Daniel Vorcaro aparece abreviado como DV. A conversa inicia com Vorcaro desabafando: "Hoje foi um dia pessimo pra mim". Martha Graeff prontamente questiona o motivo, ao que ele responde: "Nada demais", mas em seguida acrescenta: "Sofrendo uma extorsão bem chata", complementando em inglês: "But its ok".

Intrigada, Martha pergunta: "Mas de quem?", porém Vorcaro não fornece detalhes sobre o autor da suposta extorsão, afirmando apenas: "Difícil me abalar e jogar pra baixo". A namorada demonstra preocupação, dizendo: "Tô triste com isso. Espero que se resolva logo", e ele a tranquiliza: "Fica não amor" e "Tá tudo bem".

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Contexto das prisões e investigações

Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira, 4 de setembro, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A prisão ocorreu por volta das 6 horas da manhã, quando o banqueiro foi conduzido à Superintendência da PF em São Paulo. Na mesma ação, também foram detidos seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes, conhecido como "Sicário", e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Crimes investigados e decisão judicial

Esta etapa da operação investiga crimes graves, incluindo lavagem de dinheiro, fraude processual e obstrução de justiça. Em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ficou estabelecido que Daniel Vorcaro chefiava uma espécie de milícia privada que monitorava autoridades e perseguia jornalistas. Esta foi a primeira decisão de Mendonça como relator do caso na Corte, após assumir a função em fevereiro, sucedendo Dias Toffoli.

O nome Compliance Zero é uma referência direta à ausência de controles internos nas instituições envolvidas, que facilitariam crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. A terceira fase da operação foi deflagrada com base nas mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido em novembro de 2025.

Infiltração no Banco Central e propinas

As investigações revelaram que o grupo liderado por Vorcaro teria se infiltrado no Banco Central. De acordo com os investigadores, dois servidores de alto escalão, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, recebiam propinas em troca de fornecer informações privilegiadas a Daniel Vorcaro. Essa prática configura um sério desvio ético e legal, comprometendo a integridade das instituições financeiras nacionais.

As mensagens analisadas pela CPMI do INSS não apenas expõem a suposta extorsão sofrida por Vorcaro, mas também reforçam as acusações de que ele comandava uma rede criminosa sofisticada, com ramificações em órgãos públicos e atividades ilícitas de grande escala. O caso continua sob rigorosa apuração, com expectativa de novas revelações nos próximos capítulos desta investigação de alto impacto.

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