Viagem de ministro do STF paga por advogada do Banco Master gera debate sobre ética
Viagem de Nunes Marques paga por advogada do Banco Master

Viagem de ministro do STF paga por advogada do Banco Master gera debate sobre ética

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, viajou para Maceió em novembro de 2025 em um voo particular, com todas as despesas pagas pela advogada Camilla Ewerton Ramos. A revelação, divulgada pelo jornal Estadão, trouxe à tona intensas discussões sobre a ética e a transparência nas interações entre membros do Poder Judiciário e profissionais do direito, especialmente quando há interesses significativos em jogo nos tribunais superiores do país.

Advogada atua em processos do Banco Master no STJ

Segundo a reportagem, a advogada Camilla Ewerton Ramos custeou integralmente a viagem de Nunes Marques para a capital alagoana, onde ocorreu a celebração de seu aniversário. Ramos é conhecida por sua atuação em processos do Banco Master no Superior Tribunal de Justiça (STJ), um tribunal de instância superior que lida com recursos em diversas áreas do direito, incluindo questões financeiras e empresariais de grande relevância.

A presença de um ministro do STF, a mais alta corte do país, em um evento custeado por uma advogada com interesses diretos em cortes superiores é um ponto central da discussão sobre possíveis conflitos de interesses. A ligação entre a advogada e o meio jurídico se aprofunda através de seu casamento com o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), Newton Ramos.

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Relação profissional prévia entre as partes

O TRF-1 é um tribunal de segunda instância com jurisdição sobre vários Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, e lida com uma vasta gama de casos federais. É relevante notar que o desembargador Newton Ramos atuou como juiz auxiliar na vice-presidência do TRF-1 no período em que Kassio Nunes Marques exercia o cargo de desembargador na mesma corte, o que indica uma relação profissional prévia e significativa entre as partes.

Essa proximidade levanta considerações importantes sobre a rede de contatos e as relações no âmbito do Poder Judiciário, especialmente quando envolvem benefícios financeiros. O gabinete do ministro Nunes Marques confirmou a viagem por meio de nota oficial, afirmando que o convite partiu da advogada Camilla Ewerton Ramos, que se responsabilizou pelo custeio do deslocamento e pela organização da viagem.

Conexões com empresa de aviação ligada ao Banco Master

A aeronave utilizada para o transporte de Nunes Marques é operada pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Esta empresa possui vínculos diretos com a Prime You, responsável pela administração de bens de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Esta conexão reforça os laços entre a advogada, o banco e a empresa de aviação, adicionando uma camada de complexidade à situação, dada a natureza dos negócios do Banco Master e sua constante interação com o sistema judicial brasileiro.

Além do episódio envolvendo o ministro do STF, Camilla Ewerton Ramos é conhecida por promover eventos de grande porte que demonstram seu poder aquisitivo. Um exemplo notável, conforme as reportagens, foi a contratação do cantor Wesley Safadão para a festa de 15 anos de sua filha, realizada em Brasília no ano passado. Tais eventos contextualizam o cenário das relações entre profissionais do direito e membros do Judiciário.

Questionamentos sobre imparcialidade judicial

A situação em que um ministro do STF aceita um benefício como um voo particular pago por uma advogada que atua em tribunais superiores, e cujo marido tem uma relação profissional anterior com o próprio ministro, suscita discussões fundamentais sobre a imparcialidade e a percepção pública da Justiça. O Código de Ética da Magistratura Nacional estabelece princípios como independência, imparcialidade, transparência e prudência, que devem orientar a conduta de todos os juízes.

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Embora o gabinete do ministro afirme que a viagem foi um convite pessoal para uma celebração de aniversário, a natureza das atividades profissionais da advogada e suas múltiplas conexões com o Banco Master podem gerar questionamentos legítimos sobre a potencial influência ou a aparência de um conflito de interesses. Este é um tema de constante e necessário debate no cenário jurídico e político do Brasil, especialmente em um momento de crescente demanda por transparência nas instituições públicas.