Tensão na Alerj após planilha de Bacellar revelar loteamento de cargos no governo do Rio
Tensão na Alerj após planilha de Bacellar revelar loteamento de cargos

A descoberta de uma planilha pela Polícia Federal, que detalha o loteamento de cargos no governo do estado do Rio de Janeiro por Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), gerou um clima de tensão e pânico entre os deputados. Embora esta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, seja um dia sem atividades formais na Casa, parlamentares relatam que as conversas sobre o assunto não cessam, especialmente entre aqueles ligados à chamada "tropa de choque de Bacellar", que temem ser afetados por investigações da PF.

Planilha revela pedidos sensíveis e distribuição de cargos

O documento, encontrado no computador do ex-chefe de gabinete de Bacellar, mostra a distribuição de cargos entre deputados da base governista. Um dos pedidos destacados como "sensível" é o de Rodrigo Amorim, líder do governo Cláudio Castro e próximo a Bacellar, que teria solicitado cargos para "compensar Ceperj", em referência ao escândalo de desvios de mais de 220 milhões de reais na Fundação Ceperj. Esse caso levará Castro, Bacellar e Thiago Pampolha, ex-vice-governador, a julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 10 de março.

Reações e defesas dos envolvidos

Em nota, Rodrigo Amorim afirmou que sua atuação como líder do governo é institucional e focada em sugerir políticas públicas, negando qualquer prática ilícita. Outros deputados citados no documento, como Douglas Ruas, atual secretário das Cidades e pré-candidato a governador, também estão sob escrutínio. Parlamentares da base temem que o material influencie o julgamento do TSE, com receios de que Cláudio Castro seja "arrastado" para uma condenação devido a Bacellar.

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Um deputado experiente comentou à VEJA que a investigação da PF evidenciou "o domínio territorial da máquina", enquanto um parlamentar da oposição destacou a necessidade de analisar se as indicações foram para fins ilícitos, já que "indicar não está no Código Penal, mas indicar para fazer coisa errada está".

Defesa de Bacellar e contexto investigativo

A defesa de Rodrigo Bacellar, indiciado pela PF no caso de vazamento de informações para o ex-deputado TH Joias, emitiu uma nota classificando o indiciamento como "descabido" e baseado em "ilações desamparadas", sem elementos probatórios concretos. Os advogados argumentam que a ação policial foi precipitada e não respaldada por evidências sérias.

O clima na Alerj reflete um endurecimento percebido na atuação da PF em todo o país, aumentando a apreensão entre os deputados. Com o julgamento do TSE se aproximando, as revelações da planilha podem ter impactos significativos na política fluminense, potencialmente afetando carreiras e alianças partidárias.

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