STF retoma julgamento de deputados do PL acusados de desviar emendas parlamentares
STF julga deputados do PL por desvio de emendas parlamentares (17.03.2026)

STF retoma julgamento de deputados do PL envolvidos em esquema de desvio de emendas

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (17) o processo penal contra oito pessoas, incluindo três deputados federais do Partido Liberal (PL), acusados de irregularidades com as emendas parlamentares. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da denúncia, os parlamentares compunham o "núcleo central" de uma organização criminosa que atuou no desvio de recursos públicos.

Detalhes do julgamento e cronograma das sessões

O julgamento ocorre na sala da Primeira Turma do STF e segue as normas do Regimento Interno da Corte. Foram agendadas três sessões para análise do caso:

  • A primeira sessão ocorreu na terça-feira passada (10)
  • A segunda sessão aconteceu nesta terça (17)
  • A terceira sessão está marcada para as 9h da quarta-feira (11)

O relator, ministro Cristiano Zanin, apresenta o relatório com os principais andamentos do caso. Em seguida, a PGR faz sua exposição, com prazo de uma hora que pode ser alterado pelo presidente da Turma. As defesas dos réus terão igualmente uma hora para argumentar, prazo também sujeito a modificação.

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Rito processual e possíveis desfechos

Após os debates, os ministros deliberam apresentando seus votos na ordem de antiguidade na Turma:

  1. Ministro Cristiano Zanin (relator)
  2. Ministro Alexandre de Moraes
  3. Ministra Cármen Lúcia
  4. Ministro Flávio Dino (presidente do colegiado)

A decisão de condenação ou absolvição é por maioria da Turma – no caso, pelo menos três ministros. Se houver condenação, o relator proporá uma pena a ser debatida e fixada com os demais colegas. Se houver absolvição, o caso será arquivado. Em ambas as situações, cabem recursos na própria Corte.

Os acusados e as acusações específicas

Os deputados federais do PL Josimar Maranhãozinho (MA), Pastor Gil (MA) e Bosco Costa (SE) estão entre os principais réus. As acusações incluem:

  • Josimar Maranhãozinho: responde por corrupção passiva e por integrar organização criminosa, com penas mais graves pela posição de liderança e pela participação de funcionário público.
  • Pastor Gil, Bosco Costa e João Batista Magalhães: respondem por corrupção passiva e participação em organização criminosa, com penas mais graves pela participação de funcionário público. Bosco Costa atualmente é suplente de deputado federal e não está em exercício.
  • Thalles Andrade Costa: responde pela participação em organização criminosa com penas mais graves pela participação de funcionário público.
  • Antônio José Silva Rocha, Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto: respondem pelo crime de corrupção passiva.

Definições legais dos crimes imputados

A corrupção passiva ocorre quando alguém solicita ou recebe, "para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem". A pena é de 2 a 12 anos e multa.

O delito de integrar organização criminosa está previsto em lei de 2013 e tem pena de 3 a 8 anos, além de multa. A pena fica mais grave para quem exerce posição de liderança e pode ser aumentada de 1/6 a 2/3 se há participação de funcionário público.

Argumentos da Procuradoria-Geral da República

Na denúncia, a PGR apontou que "os réus constituíram organização criminosa voltada à destinação de emendas parlamentares para municípios em troca de propina". Segundo o Ministério Público, as provas reunidas envolvem diálogos e documentos apreendidos durante as investigações.

A PGR destacou que o grupo atuou no âmbito de uma organização criminosa "estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem financeira mediante a prática de crimes contra a administração pública".

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Os parlamentares também são acusados de solicitar propina ao prefeito de São José do Ribamar (MA) no valor de R$ 1,667 milhão, a ser dado em contrapartida à destinação de emendas no valor de R$ 6,671 milhões. Além da condenação, a PGR quer que o Supremo determine a perda de funções públicas e fixe indenização mínima por danos morais coletivos.

Posicionamento das defesas

As defesas dos parlamentares negaram veementemente a participação deles nos crimes alegados. Os advogados argumentam que não há provas suficientes para sustentar as acusações e que seus clientes agiram dentro da legalidade no exercício de suas funções parlamentares.

O caso representa um dos mais significativos processos envolvendo supostos desvios de emendas parlamentares em tramitação no Supremo Tribunal Federal, com potencial para estabelecer precedentes importantes no combate à corrupção no âmbito do Legislativo federal.