STF condena deputados do PL por corrupção passiva em esquema de desvio de emendas
STF condena deputados do PL por corrupção em emendas

Primeira Turma do STF condena políticos do PL por corrupção em esquema de emendas

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (17) condenar por corrupção passiva dois deputados federais e um ex-parlamentar do Partido Liberal (PL), além de outros quatro acusados envolvidos em um esquema de desvio de emendas parlamentares. O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, votou pela condenação do grupo e foi acompanhado integralmente pelos demais membros da Turma: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Políticos condenados e detalhes do esquema

Os políticos condenados são: Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que atualmente está licenciado do mandato na Câmara dos Deputados; Pastor Gil (PL-MA); e João Bosco (PL-SE), que hoje exerce a função de suplente. A Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da denúncia, identificou esses parlamentares como o "núcleo central" de uma organização criminosa que atuava em irregularidades com recursos públicos.

Segundo as investigações, o grupo teria desviado aproximadamente R$ 1,6 milhão de emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão. A PGR alegou que os deputados solicitaram propina equivalente a 25% do valor total das emendas, que somavam R$ 6,67 milhões em 2020. O então prefeito da cidade, José Eudes, relatou aos investigadores cobranças e intimidações por parte dos acusados.

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Voto do relator e posicionamento dos ministros

Em seu voto, o ministro Cristiano Zanin destacou que "a subsistência do exercício constitucional e regular das funções parlamentares precisa alinhar-se à moralidade administrativa". Ele afirmou que, quando o registro e encaminhamento de propostas se baseiam em finalidades ilícitas, o ato praticado ofende deveres funcionais e merece punição.

Zanin considerou robustos os elementos probatórios que comprovam a autoria e materialidade do crime de corrupção passiva, mas rejeitou a acusação de organização criminosa. Os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator em sua totalidade, consolidando a condenação por maioria na Primeira Turma.

Outros condenados e absolvição

Além dos três políticos do PL, foram condenados por corrupção passiva: João Batista Magalhães, Antônio José Silva Rocha, Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto. A Primeira Turma, no entanto, absolveu Thalles Andrade Costa, filho do ex-deputado João Bosco da Costa, que era acusado apenas de integrar organização criminosa.

O crime de corrupção passiva, definido como solicitar ou receber vantagem indevida em razão da função pública, prevê pena de 2 a 12 anos de prisão além de multa. Já a participação em organização criminosa, prevista em lei de 2013, tem pena de 3 a 8 anos, podendo ser agravada quando há envolvimento de funcionário público ou exercício de liderança no esquema.

Contexto histórico e próximos passos

Este é o primeiro julgamento do Supremo sobre desvio de emendas parlamentares desde que a Corte passou a exigir maior transparência e rastreabilidade nos repasses de recursos por deputados e senadores para seus redutos eleitorais. As penas específicas para cada condenado ainda serão fixadas pela Primeira Turma do STF.

A PGR pediu não apenas a condenação, mas também a perda de funções públicas para os envolvidos e a fixação de indenização por danos morais coletivos. As defesas dos acusados negaram consistentemente a participação em crimes, argumentando inclusive que não havia comprovação de que os recursos mencionados eram efetivamente de emendas parlamentares – tese rejeitada pelo relator com base em informações do Ministério da Saúde.

O julgamento ocorreu em sessões agendadas, com uma terceira sessão prevista para esta quarta-feira (18) para tratar de aspectos processuais remanescentes. A decisão da Primeira Turma ainda está sujeita a recursos dentro do próprio STF.

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