Prefeito eleito de Cabedelo é afastado após operação da Polícia Federal
O prefeito de Cabedelo, na Paraíba, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira (14) após uma operação da Polícia Federal. A ação investiga um esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e a ligação de agentes políticos com uma facção criminosa. O afastamento ocorreu apenas dois dias depois das eleições suplementares realizadas no domingo (12), quando o prefeito foi eleito para comandar a prefeitura até o final de 2028.
Decisão judicial e contexto político
O afastamento de Edvaldo Neto foi determinado por decisão da Justiça, visando preservar as investigações. Edvaldo ocupava o cargo de prefeito de forma interina desde 2025, após a cassação dos mandatos do então prefeito André Coutinho (Avante) e da então vice-prefeita Camila Holanda (PP). O novo pleito foi realizado por determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).
O g1 tentou contato com o prefeito, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A defesa de Edvaldo Neto também não foi localizada para comentários.
Quem é Edvaldo Neto
Edvaldo Neto é nascido em Cabedelo em 1988 e atua como advogado. Antes de assumir a prefeitura interina, ele era presidente da Câmara de Vereadores, cargo que alcançou em seu segundo mandato como vereador. Ele foi eleito vereador pela primeira vez em 2020, cumprindo mandato completo de 2021 a 2024, e foi reeleito em 2024.
Com a vitória nas eleições suplementares, Edvaldo deveria comandar a prefeitura de Cabedelo até 2028. Ele já estava no cargo como interino desde o final de 2025, após a cassação do mandato do prefeito anterior.
Detalhes da operação da Polícia Federal
A operação deflagrada na manhã desta terça-feira cumpriu 21 mandados de busca e apreensão. Um dos endereços alvo foi um apartamento do prefeito Edvaldo Neto, localizado em Intermares. A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre o material apreendido.
Além do afastamento do prefeito, outros servidores públicos foram afastados por determinação judicial, para preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas. Os nomes dos demais servidores afastados não foram divulgados até o momento.
Investigação aponta consórcio criminoso
De acordo com a apuração da TV Cabo Branco, estão entre os alvos da operação:
- Edvaldo Manoel de Lima Neto
- Josenilda Batista dos Santos
- Vitor Hugo Peixoto Castelliano
- Luciano Junior da Silva
- Aldecir Monteiro da Silva
- Rougger Xavier Guerra Junior
- Diego Carvalho Martins
- Rita Bernadeth Moura Medeiros
- Claudio Fernandes de Lima Monteiro
- Cynthia Denize Silva Cordeiro
- Tanison da Silva Santos
- Genilton Martins de Brito
- Manuella Trevizan da Silva
Segundo a investigação, um consórcio entre políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes da facção "Tropa do Amigão", braço do "Comando Vermelho", pode ter movimentado até R$ 270 milhões em contratos fraudulentos. A operação busca esclarecer a extensão do esquema e responsabilizar os envolvidos.



