Prefeito de Macapá renuncia após afastamento pela Polícia Federal em operação que investiga fraudes
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), foi afastado do cargo nesta quarta-feira (4) por decisão do ministro Flávio Dino, do Superior Tribunal Federal (STF), como parte da Operação Paroxismo, que investiga supostos desvios de recursos da saúde. No dia seguinte, ele apresentou renúncia formal ao mandato, mas nega que a medida tenha relação com a investigação.
Renúncia já estava programada, afirma ex-prefeito
Em entrevista à Rede Amazônica nesta quinta-feira (5), Furlan afirmou que a decisão de renunciar já estava prevista para que pudesse se dedicar integralmente à pré-campanha ao governo do Estado do Amapá. “A renúncia estava programada para março, respeitando o período eleitoral. Com o afastamento determinado pelo STF, antecipamos nossa renúncia para focar na pré-campanha”, explicou.
O ex-prefeito enviou ofício à Câmara Municipal de Macapá formalizando a renúncia. Com isso, o presidente da Câmara, Pedro Da Lua (União), assumiu como prefeito interino. Furlan também mencionou que sua equipe jurídica trabalha para garantir o retorno do vice-prefeito Mário Neto, igualmente afastado pela operação.
Operação Paroxismo investiga fraudes milionárias em licitações da saúde
A Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal, afastou além de Furlan e Mário Neto, a secretária municipal de Saúde, Erica Aymoré, e Walmiglisson Ribeiro da Silva, chefe do setor de licitação da prefeitura. A investigação apura supostas fraudes em licitações vinculadas às obras do Hospital Geral Municipal de Macapá, orçadas em cerca de R$ 70 milhões.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Secretaria Municipal de Saúde teria sido estruturada para favorecer a empresa Santa Rita Engenharia Ltda. O edital incluiria exigências técnicas muito específicas, sem relação direta com toda a obra, o que teria afastado outras empresas da concorrência.
Após a assinatura do contrato, os sócios da empresa realizaram saques em espécie, fracionados e incompatíveis com a atividade. Investigadores suspeitam de desvio e lavagem de dinheiro, com grandes quantias, como R$ 400 mil, sendo transportadas em mochilas e movimentadas em veículos ligados a agentes públicos, incluindo o prefeito.
Furlan nega acusações e defende obra do hospital
Dr. Furlan rebateu as acusações, afirmando que “essa acusação não procede” e que o cronograma físico-financeiro da obra está em dia. “O hospital municipal está operando a todo vapor. Tenho certeza de que a obra será entregue no final de 2026”, declarou, confiante na continuidade do projeto seja pelo prefeito interino ou pelo retorno do vice-prefeito.
O ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão no Amapá, Pará e Rio Grande do Norte, além da quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados. A operação segue em andamento, com a segunda fase já deflagrada, aumentando a pressão sobre os envolvidos.



