Plano de resgate do Banco Master desmorona com prisão de Daniel Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do principal escândalo financeiro do país, tinha em andamento um plano ambicioso para reverter a liquidação extrajudicial do Banco Master, mas sua estratégia ruiu completamente após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decretar sua prisão preventiva. A medida judicial intensificou a pressão por uma colaboração premiada e gerou temores no cenário político nacional.
Estratégia bilionária para salvar o conglomerado financeiro
Daniel Vorcaro articulava pessoalmente um plano complexo que envolvia convencer o governo federal, a equipe econômica, expoentes do Centrão e até partidos de oposição a aceitarem a reversão da liquidação extrajudicial do Banco Master. O escândalo já gerou prejuízos estimados em 50 bilhões de reais para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas o banqueiro pretendia cobrir pessoalmente o rombo bilionário que atingiu fundos de previdência estaduais e municipais.
Esses fundos haviam investido pesadamente em títulos considerados podres da instituição financeira, criando uma crise que se espalhou por diversas esferas do poder público. A proposta de Vorcaro incluía a possibilidade de ele próprio organizar voluntariamente sua saída de cena e tapar prejuízos que não são abarcados pelo sistema garantidor oficial.
Transformação da liquidação extrajudicial para ordinária
O cerne do plano consistia em transformar a liquidação extrajudicial, situação em que o Banco Central decreta o fechamento da instituição financeira, congela os bens do alvo e posteriormente os vende para pagar investidores prejudicados, em uma liquidação ordinária. Por esta tese alternativa, o próprio Vorcaro:
- Organizaria voluntariamente sua saída do conglomerado financeiro
- Assumiria a responsabilidade por tapar prejuízos não cobertos pelo FGC
- Venderia de forma escalonada e por preços de mercado os ativos do conglomerado atualmente bloqueados por ordem do Banco Central
Em versões preliminares do plano, já descartadas, o ex-dono do Master ainda trabalhava com a possibilidade de assumir o crime de gestão temerária, ilícito em que não existe dolo nas fraudes bancárias, fechar um acordo judicial e pagar uma quantia significativa para encerrar o caso definitivamente.
Rejeição política e prisão que mudou o jogo
A receptividade dos atores políticos que ouviram o projeto salva-vidas do ex-banqueiro foi extremamente negativa. O ardil ficou ainda mais distante com Vorcaro atrás das grades e com ordem para ser transferido para o presídio federal de segurança máxima em Brasília. A prisão foi decretada com base em acusações de que o banqueiro agia em "modo mafioso", conforme descrito nas investigações.
O plano tinha como pano de fundo acenar para figurões da política que, por exemplo, apadrinharam investimentos de fundos de previdência estaduais em papéis do Master. Essa tormenta atinge diretamente o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), cujo irmão integra o conselho do fundo de previdência do Amapá (Amprev), que aplicou 400 milhões de reais em títulos do antigo banco de Vorcaro.
Investigações ampliam o alcance do escândalo
As investigações da CPI Mista do INSS tiveram acesso a mensagens do telefone do banqueiro com o pretexto de investigar supostas pressões para que caixas de previdência de aposentadores aplicassem em papéis do Master. O caso revela conexões profundas entre o sistema financeiro e o poder político, com ramificações que continuam sendo desvendadas pelas autoridades.
Com a prisão de Vorcaro, a possibilidade de qualquer reversão na liquidação do Banco Master parece ter se esvaído completamente, deixando investidores, fundos de previdência e o próprio sistema financeiro nacional às voltas com as consequências de um dos maiores escândalos bancários da história recente do Brasil.



