Planalto pressiona Toffoli para blindar Lula do escândalo do Banco Master
Planalto pressiona Toffoli para blindar Lula do caso Master

Planalto pressiona Toffoli para blindar Lula do escândalo do Banco Master

O governo federal tem intensificado esforços para proteger o presidente Lula das repercussões do escândalo do Banco Master, com novas revelações expondo uma tensa movimentação política no Palácio do Planalto. Segundo fontes palacianas, o presidente tratou diretamente da investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) com o ministro Dias Toffoli, relator do caso, em um almoço sigiloso realizado no fim do ano passado.

Encontro sigiloso e pressão sobre o ministro

A conversa entre Lula e Toffoli, mantida em sigilo até recentemente, ganhou contornos alarmantes à medida que detalhes vazaram para a imprensa. De acordo com relatos de auxiliares do governo, o presidente teria oferecido um sermão constrangedor ao ministro do STF, sugerindo que ele precisava resgatar sua biografia. Essa expressão, amplamente reportada por diferentes veículos, indica uma tentativa clara de influenciar a condução do inquérito sobre a fraude bilionária estimada em 50 bilhões de reais.

Especialistas em direito constitucional destacam que a condução de uma investigação dessa magnitude, a partir de um inquérito formal no STF, jamais deveria ser assunto discutido no gabinete político do presidente da República. Ainda que o caso Master apresente diversas irregularidades, a aproximação de Lula com Toffoli chamou a atenção de aliados no Congresso, que veem na ação uma estratégia para antecipar críticas e revelações futuras.

Novas revelações ligam ex-ministro ao banqueiro

Paralelamente, surgiram informações que conectam figuras próximas ao governo com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Revelou-se que o escritório de Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça, recebeu parcelas de um contrato milionário firmado com Vorcaro enquanto ele comandava a pasta. Se Lewandowski ainda estivesse no governo, os constrangimentos dessa relação comercial certamente abalariam a estabilidade política do Planalto.

Além disso, a conversa de Lula com Vorcaro, mediada pelo ex-ministro Guido Mantega, já era conhecida desde o ano passado, mas agora ganha novos detalhes que associam a movimentação do governo a uma tentativa de afastar o escândalo do gabinete presidencial. O sigilo que marca esses encontros, ocorridos no fim de 2024, quando o caso Master começava a se deteriorar longe dos holofotes, reforça a percepção de que há um esforço coordenado para minimizar danos.

Alerta da PF e desdobramentos futuros

Investigadores da Polícia Federal têm circulado em Brasília alertas sobre desdobramentos graves do caso Master, indicando que a fraude ainda reserva surpresas. Em um cenário ideal para o petismo, o escândalo desaguaria apenas sobre políticos da oposição bolsonarista, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e caciques do centrão próximos a Vorcaro, sem atingir o governo atual ou o PT.

No entanto, a teoria de dois senadores ouvidos pelo Radar é de que Lula atua para se antecipar a críticas e revelações que possam surgir contra uma ala do partido que se moveu por Vorcaro durante a gestão. Com a candidatura à reeleição no horizonte, o presidente busca blindar sua imagem e a do Planalto, mas é cedo para cravar os resultados dessa estratégia em meio a um inquérito de proporções tão vastas.

A movimentação do governo para fritar Toffoli, como descrita por fontes, expõe uma tensão crescente entre os Poderes e levanta questões sobre a independência do Judiciário em casos de alto impacto político e financeiro.