Procurador-geral da República defende rigor em investigações contra ministros do STF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem enfrentado pressões para propor investigações contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) citados em relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No entanto, Gonet mantém uma postura firme, afirmando ao Radar que "investigação pressupõe indício de crime". Isso significa que, na visão do chefe da PGR, nada do que surgiu até agora no escândalo do Master em relação aos ministros do Supremo justificaria uma ação direta da Procuradoria.
Delação de Vorcaro exige fatos novos e provas concretas
Daniel Vorcaro, preso desde o início de março na carceragem da Polícia Federal em Brasília, negocia um acordo de delação premiada. Para obter benefícios judiciais, ele precisa relatar fatos novos que não estejam no amplo conjunto de provas já colhido pela PF durante as investigações das fraudes bilionárias do Master. O banqueiro não pode omitir nem inventar informações, e para ter seu acordo homologado, terá de entregar todos os poderosos que receberam dinheiro do banco em troca de favores ilícitos na República.
O relato, porém, não é suficiente por si só. Vorcaro terá de apresentar provas que confirmem cada fato criminoso confessado. É a partir dessa fotografia completa que a PGR e Paulo Gonet analisarão os fatos para determinar a existência de crimes e o potencial da delação para efeitos de benefícios judiciais.
Gonet segue lógica de rigor em casos anteriores
Apesar das pressões, Gonet pretende seguir a mesma lógica de rigor que tem marcado sua atuação. Exemplos incluem o pedido de arquivamento da investigação das joias de Jair Bolsonaro e o descarte da existência de um "Estado paralelo" do crime organizado no Rio de Janeiro durante as investigações contra o ex-chefe da Alerj, Rodrigo Bacellar. Se as pontas não estiverem conectadas, a PGR não irá referendar uma delação baseada em "ouvi dizer" ou em fatos incompletos e suposições.
Conforme revelado pelo Radar na edição de VEJA da semana passada, a investigação de integrantes do STF terá de ser autorizada pelo próprio plenário da Corte, caso o delator arraste ministros para o acordo. Isso adiciona uma camada adicional de complexidade ao processo, reforçando a necessidade de evidências sólidas antes de qualquer ação judicial.



