PGR apresenta denúncia formal ao STF contra políticos e desembargador por vazamento de operação policial
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, o desembargador Macário Júdice Neto, o ex-deputado conhecido como TH Joias (Thiego Raimundo), e mais dois investigados. O caso, que está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, envolve o vazamento de informações sigilosas sobre uma operação policial contra o Comando Vermelho no estado do Rio de Janeiro.
Esquema detalhado de obstrução de justiça
A denúncia, com 22 páginas, detalha minuciosamente um esquema de obstrução de justiça e vazamento de informações confidenciais que comprometeu seriamente a "Operação Zargun" em 2025. Segundo a acusação da PGR, o desembargador Macário Júdice Neto teria revelado medidas cautelares ao deputado Rodrigo Bacellar, que por sua vez teria repassado o alerta ao principal alvo da operação, o então parlamentar TH Joias.
Com o aviso prévio recebido, os investigados coordenaram estrategicamente o esvaziamento de provas e facilitaram a fuga de TH Joias, contando com o suporte logístico de sua esposa, Jéssica de Oliveira Santos, e do assessor Thárcio Nascimento Salgado. A peça acusatória fundamenta as alegações em registros telefônicos, imagens de segurança e depoimentos que comprovariam o conluio para proteger membros ligados à facção criminosa.
Crimes imputados aos acusados
Os cinco investigados são citados pela prática de "crime de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa armada, mediante o concurso de funcionário público, valendo-se a organização dessa condição para a prática de infração penal". Além disso:
- O desembargador Macário Júdice Neto, que está preso desde dezembro de 2025, também foi denunciado por crime de violação de sigilo funcional.
- Thárcio Salgado responderá adicionalmente por crime de favorecimento pessoal.
O indiciamento dos investigados havia sido revelado pelo portal Radar há duas semanas, antecedendo a formalização da denúncia perante o Supremo Tribunal Federal.
Defesas contestam acusações da PGR
A defesa do deputado Rodrigo Bacellar emitiu nota manifestando surpresa com a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República. Os juristas Daniel Leon Bialski e Roberto Podval afirmaram que a acusação "está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas, por meio de extensa prova documental".
Segundo a defesa, "a acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que NADA foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos". A nota ainda ressalta que "foram realizadas medidas cautelares contra os verdadeiros responsáveis pelos vazamentos, o que, uma vez mais, evidencia a plena inocência e afasta o deputado Rodrigo Bacellar de qualquer conduta ilícita".
Da mesma forma, a defesa do desembargador Macário Júdice também enviou manifestação ao Radar, lamentando que "toda a narrativa desenvolvida pela acusação seja fruto de ilações e conjecturas que não se sustentam diante da lógica mais elementar e dos elementos concretamente reunidos ao longo da investigação".
Os advogados do desembargador afirmaram que seu cliente "se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo".
O caso representa mais um capítulo significativo na investigação sobre infiltrações e vazamentos que comprometem operações policiais contra organizações criminosas no Brasil, com desdobramentos que envolvem figuras públicas de diferentes esferas do poder.



