Polícia Federal solicita investigação formal contra governador capixaba por diálogos com magistrado preso
A Polícia Federal encaminhou pedido formal para abertura de um inquérito contra o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), após análise de mensagens trocadas via WhatsApp com o desembargador Macário Judice Neto, atualmente preso preventivamente por suspeitas de tráfico de influência e venda de sentenças judiciais.
Contexto das investigações e confirmação do caso
As informações foram inicialmente confirmadas pela TV Gazeta através de fontes com acesso direto aos autos da investigação conduzida pela Polícia Federal. Quando questionado oficialmente pelo g1, o órgão policial manteve sua política de não se manifestar sobre eventuais investigações em andamento, nem confirmar nem negar detalhes operacionais.
O governador Casagrande, por sua vez, já se pronunciou publicamente negando qualquer tipo de ilegalidade nas comunicações. Em declaração ao g1 nesta sexta-feira (27), ele classificou o diálogo como "republicano, institucional e preocupado com a instabilidade política de um município", afirmando ainda que a conversa poderia ter ocorrido abertamente, sem qualquer constrangimento.
Conteúdo das mensagens e suspeitas de troca de favores
As mensagens em análise foram extraídas diretamente do aparelho celular do desembargador Macário Judice, apreendido durante as investigações da Operação Unha e Carne, que apura vazamentos de informações sigilosas da Polícia Federal. Os diálogos revelam:
- O governador Casagrande solicitando rapidez, atenção e carinho em um processo judicial que beneficiava diretamente o prefeito de Montanha, no Norte do Espírito Santo, André Sampaio (PSB).
- Dias após o pedido, o desembargador retornou a mensagem informando ao governador que a situação havia sido resolvida satisfatoriamente.
- Meses mais tarde, foi a vez de Macário Judice solicitar auxílio a Casagrande, pedindo que um assessor do governo estadual fosse cedido temporariamente para trabalhar em seu gabinete no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), pedido que foi prontamente atendido pelo governo capixaba.
Diante deste padrão de comunicação, a Polícia Federal identificou indícios concretos de possível troca de favores com características criminosas, envolvendo um agente público de alto escalão e um magistrado federal. O caso foi encaminhado com toda a documentação comprobatória ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que detém competência para analisar processos envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Posicionamento do governador e próximos passos
Renato Casagrande manteve sua defesa pública, afirmando:
- Que a conversa com Macário Judice não apresenta qualquer irregularidade ou conteúdo sigiloso.
- Que se trata de diálogo "público e republicano", que poderia ter sido realizado abertamente.
- Que até o momento não foi formalmente acionado pela Polícia Federal sobre o assunto.
- Que caso seja convocado, apresentará as mesmas explicações já divulgadas publicamente.
Caberá exclusivamente ao ministro Alexandre de Moraes analisar o material apresentado pela Polícia Federal e decidir sobre a abertura ou não do inquérito para investigar formalmente as suspeitas. A decisão do ministro do STF será determinante para os próximos capítulos deste caso que envolve o mais alto escalão do poder executivo estadual e o sistema judiciário federal.



