Operação da Polícia Federal mira clã Coelho e pode redefinir cenário eleitoral em Pernambuco
A Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão na última quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, em uma operação que investiga um esquema de desvio de emendas parlamentares em quatro estados e no Distrito Federal. Os alvos principais são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e seus dois filhos: o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União-PE).
Impacto direto nas eleições estaduais
Esta operação tem potencial para reconfigurar completamente o cenário eleitoral em Pernambuco. Miguel Coelho, que era cotado para disputar uma vaga ao Senado na chapa do prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, pode ver sua candidatura inviabilizada caso as investigações avancem e encontrem provas concretas contra sua família.
João Campos lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual, enfrentando a atual governadora Raquel Lyra (PSD). A possível saída de Miguel Coelho da disputa senatorial abriria espaço para o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que atualmente trava uma disputa interna com Miguel pelo controle da federação União Progressista no estado.
Reconfiguração de alianças políticas
Se Eduardo da Fonte assumir a vaga senatorial, isso representaria uma vantagem significativa para a governadora Raquel Lyra, que poderia contar com o apoio de toda a federação União Progressista em Pernambuco. Esta mudança alteraria profundamente o equilíbrio de forças no estado, onde as alianças políticas são tradicionalmente complexas e determinantes para os resultados eleitorais.
Os mandados judiciais foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, e cumpridos não apenas em Pernambuco, mas também na Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. As investigações apontam que o esquema desviava recursos de emendas parlamentares direcionando-os para empresas ligadas à família Coelho.
Crimes investigados e defesa da família
Entre os crimes investigados estão:
- Frustração do caráter competitivo de procedimentos licitatórios
- Fraude em licitação e contrato
- Peculato
- Corrupção
- Lavagem de dinheiro
- Organização criminosa
Em resposta às acusações, Miguel Coelho e seu irmão Fernando Filho publicaram uma nota conjunta nas redes sociais classificando a operação como "perseguição política". Eles afirmaram que as emendas parlamentares em questão foram destinadas ao desenvolvimento de Petrolina, cidade que segundo eles "foi a que mais cresceu no Nordeste na última década".
Os irmãos Coelho destacaram ainda que a Procuradoria-Geral da República manifestou-se contra as medidas postuladas pela Polícia Federal, segundo consta na decisão do ministro Flávio Dino. "Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham", escreveram em sua defesa pública.
Desdobramentos e incertezas
A operação ocorre em um momento crucial da preparação para as eleições estaduais, criando um clima de incerteza sobre as futuras alianças políticas em Pernambuco. Embora não tenha sido divulgada a quantia exata que teria sido desviada nem o uso inadequado aplicado aos recursos públicos, a amplitude da operação - com mandados cumpridos em cinco unidades federativas - indica a complexidade do esquema investigado.
O caso coloca em evidência não apenas questões de corrupção, mas também as intrincadas relações entre poder político, recursos públicos e processos eleitorais no Brasil. Os próximos desdobramentos das investigações poderão determinar não apenas o futuro político da família Coelho, mas também o equilíbrio de forças em um dos estados mais importantes do Nordeste brasileiro.



