Caso Master: Polícia Federal investiga conexão entre banqueiro e ataques ao Banco Central
A Polícia Federal está investigando se o banqueiro Daniel Vorcaro pagou por ataques de influenciadores digitais contra o Banco Central, em mais um capítulo do complexo Caso Master. As investigações avançam enquanto a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS enfrenta obstáculos para acessar documentos completos sobre as quebras de sigilo do empresário.
CPMI recebe apenas 0,25% dos documentos sobre Vorcaro
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), revelou nesta segunda-feira (9) que a comissão recebeu apenas 0,25% dos documentos referentes às quebras de sigilo de Vorcaro. "Foram enviados mais de 400GB de documentos e a comissão recebeu apenas 1GB, o que é um absurdo", afirmou o parlamentar com indignação.
Em dezembro passado, o então ministro-relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou que o Senado recolhesse os dados sobre as quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro aprovadas pela CPMI. A decisão foi revista apenas em fevereiro pelo novo ministro-relator, André Mendonça.
Filtro de documentos gera divergência entre parlamentares
Entre as duas decisões ministeriais, a CPMI recebeu aproximadamente 450 gigabytes de documentos, a maior parte referente ao sigilo telemático disponibilizado pela Apple com dados do celular do banqueiro salvos em nuvem. Contudo, na determinação do ministro Mendonça, a Polícia Federal foi incumbida de recolher os dados antes de disponibilizá-los novamente à comissão.
Em um período de 12 dias, os dados que compreendiam centenas de gigabytes retornaram com apenas 313 megabytes em 206 arquivos. A PF justificou que, por determinação do ministro Mendonça, estaria disponibilizando "parte dos dados da quebra de sigilo de dados telemáticos realizada pela CPMI em desfavor de Daniel Bueno Vorcaro".
Nos bastidores, a avaliação dos parlamentares se divide:
- Alguns atribuem o "filtro" aplicado aos documentos à própria Polícia Federal
- Outros responsabilizam diretamente o ministro-relator André Mendonça
O presidente Viana afirmou que, após conversa com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, soube que os documentos passariam por um filtro antes de serem devolvidos à comissão. "A decisão do ministro André Mendonça não define, em momento algum, que a Polícia Federal faça qualquer tipo de verificação de documentos ou filtros para entregar à comissão", declarou o senador.
Conexões políticas reveladas nas mensagens
Os documentos disponíveis revelam trocas de mensagens de Vorcaro com a então companheira Martha Graeff, expondo as conexões do banqueiro com integrantes dos Três Poderes. Em uma das conversas, Vorcaro comemora com a namorada sua amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e uma emenda apresentada pelo parlamentar que pretendia aumentar em quatro vezes o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
As mensagens comemorando a atuação do senador são de 13 de agosto de 2024, horas depois da apresentação da emenda. Em outra conversa de abril de 2025, Vorcaro menciona à companheira que iria se encontrar com "alexandre moraes", em referência ao ministro do STF.
Modelo de negócios do Master sob escrutínio
O Master passou a chamar atenção das autoridades por utilizar um modelo agressivo de captação de recursos baseado na emissão de CDBs com garantia do FGC. As investigações agora se concentram também na possível contratação de influenciadores para atacar instituições financeiras, em especial o Banco Central.
O ministro Mendonça determinou ainda que as quebras de sigilo feitas pela Polícia Federal no âmbito da investigação que corre no STF também deveriam ser disponibilizadas à CPMI, mas até o momento esses documentos não chegaram à comissão parlamentar.
A situação expõe tensões institucionais e levanta questões sobre o acesso completo às informações necessárias para o trabalho de investigação da CPMI do INSS, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
