PF indicia Rodrigo Bacellar e TH Joias por ligação com Comando Vermelho
PF indicia Bacellar e TH Joias por vínculo com CV

PF indicia deputado Rodrigo Bacellar e ex-parlamentar TH Joias por suspeita de ligação com Comando Vermelho

A Polícia Federal (PF) indiciou o deputado estadual Rodrigo Bacellar, presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e mais três pessoas por suspeita de vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho (CV). As investigações revelaram uma complexa rede de infiltração na administração pública.

Pedido de intercessão de Sérgio Cabral

De acordo com a PF, o ex-governador Sérgio Cabral solicitou ajuda a Rodrigo Bacellar para interceder em um processo judicial que respondia na Justiça. Mensagens trocadas em maio de 2025, obtidas pela polícia, mostram que Cabral pediu a retirada de pauta de um julgamento na 6ª Câmara de Direito Público.

Em 22 de maio, Cabral escreveu: “Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. Desculpa te perturbar com isso. Mas será terça. Só pedir para retirar de pauta.” Bacellar respondeu de forma breve: “Te falo”. Cinco dias depois, em 27 de maio, Cabral voltou a contatar o deputado, afirmando às 11h18: “Irmão! Saiu de pauta o meu processo”, seguido por: “Você é um querido!!!! Te amo, amigo!!!”.

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Operação Unha e Carne e prisões

Rodrigo Bacellar foi preso no dia 3 de dezembro pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que resultou na prisão de TH Joias. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, e Bacellar deixou a prisão no dia 9 de dezembro.

TH Joias foi preso anteriormente por crimes de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF suspeita que ele negociou armas para o Comando Vermelho e utilizou seu mandato parlamentar para favorecer a facção criminosa.

Infiltração na administração pública

A investigação da Polícia Federal aponta que a organização criminosa se infiltrava na administração pública para garantir acesso a informações sigilosas e assegurar impunidade para seus integrantes. Os alvos indiciados respondem por uma série de crimes graves, incluindo:

  • Organização criminosa
  • Tráfico internacional de armas e drogas
  • Corrupção ativa e passiva
  • Lavagem de dinheiro

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, que chegou a ser preso durante as investigações, não foi indiciado. Segundo a PF, essa decisão segue as regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados.

Contato com as defesas

O portal g1 tentou contato com as defesas de Sérgio Cabral e Rodrigo Bacellar para obter posicionamentos sobre as acusações, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria. As investigações continuam em andamento, com a PF aprofundando as análises sobre as conexões entre políticos e a facção criminosa.

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