Polícia Federal conclui investigação sobre 'Estado paralelo' no Rio de Janeiro
A Polícia Federal finalizou as investigações que apuravam a existência de um "Estado paralelo" no Rio de Janeiro, envolvendo figuras políticas e do Judiciário fluminense. Em um relatório de 188 páginas enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no último dia 28 de janeiro, os investigadores indiciaram formalmente o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias.
Desembargador com foro privilegiado não foi indiciado
O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Macário Judice Neto, também era alvo das investigações, mas não foi indiciado no documento da PF devido ao seu foro privilegiado. Seu caso será analisado separadamente pela Procuradoria-Geral da República, conforme determina a legislação brasileira sobre imunidades processuais.
Além dos políticos, a Polícia Federal indiciou outras três pessoas diretamente ligadas aos investigados principais:
- Flávia Judice, esposa do desembargador Macário Judice
- Jéssica Santos, esposa do ex-deputado TH Joias
- Thárcio Salgado, ex-assessor parlamentar acusado de atuar como financeiro do Comando Vermelho no Rio
Crimes imputados e material probatório robusto
Os investigados foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e favorecimento pessoal. A PF reuniu um extenso material probatório que inclui:
- Gravações telefônicas autorizadas judicialmente
- Quebras de sigilo bancário e fiscal
- Imagens de câmeras de segurança
- Dados extraídos de celulares apreendidos
- Documentos encontrados durante buscas em imóveis de luxo e gabinetes
As investigações apontam para indícios de tráfico de influência e a existência de uma estrutura paralela que operaria dentro da política e do Judiciário fluminense. Os investigadores descreveram o uso de "celulares bomba" – aparelhos telefônicos registrados em nome de laranjas – e manobras complexas para ocultar movimentações financeiras e vínculos políticos considerados suspeitos.
Esquemas de desvio de recursos públicos
O relatório da Polícia Federal conecta os investigados a esquemas de desvio de recursos públicos e manipulação da máquina estatal para fins eleitorais e pessoais. Documentos encontrados no gabinete de Rodrigo Bacellar continham pedidos políticos de diversos parlamentares, reforçando as suspeitas de tráfico de influência.
Os achados da investigação agora estão sob análise do ministro Alexandre de Moraes no STF, que deverá deliberar sobre os próximos passos processuais. O caso ganhou contornos nacionais pela gravidade das acusações e pelo perfil dos envolvidos.
Defesa de Bacellar rejeita acusações
A defesa do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, já se manifestou publicamente, negando qualquer irregularidade por parte de seu cliente. O jurista Daniel Bialski, representante legal de Bacellar, classificou as acusações da Polícia Federal como "ilações desamparadas" de provas.
"Em relação ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas", afirmou Bialski em nota oficial.
A investigação da PF sobre o suposto "Estado paralelo" no Rio de Janeiro representa mais um capítulo significativo no combate à corrupção e à criminalidade organizada no Brasil, com potencial para gerar desdobramentos políticos e judiciais nos próximos meses.



