Flávio Bolsonaro adota estratégia de Lula ao negar conhecimento sobre rachadinhas
Flávio Bolsonaro usa método de Lula sobre rachadinhas

Flávio Bolsonaro recorre a velha tática de Lula ao ser questionado sobre rachadinhas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi confrontado recentemente sobre o esquema de rachadinhas que ocorria em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o político mostrou-se desprevenido e utilizou uma estratégia semelhante à empregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em casos de corrupção: alegou desconhecimento total dos fatos.

Desconforto e defesa baseada na ignorância

Imagens da entrevista revelam Flávio Bolsonaro visivelmente desconfortável ao abordar o tema, que ele classificou como "toda essa espuma de tentar destruir minha reputação". O senador afirmou que nunca respondeu criminalmente pelas acusações e transferiu a responsabilidade para seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. Segundo Flávio, Queiroz cuidava de parte da assessoria que fazia panfletagem nas ruas e teria contratado pessoas, cobrando parte dos salários sem que o parlamentar tivesse conhecimento.

"Ele colocou no papel que eu jamais tinha conhecimento disso", declarou o pré-candidato, em uma frase que ecoa defesas históricas de Lula sobre escândalos como o mensalão e os desvios na Petrobras. Para o eleitorado bolsonarista, essa justificativa pode ser suficiente, mas analistas políticos apontam que, para um candidato que busca se apresentar como alternativa confiável para administrar o país, a narrativa é frágil e carente de credibilidade.

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Pontos fracos na campanha presidencial

Além das rachadinhas, Flávio Bolsonaro enfrenta outros desafios significativos em sua jornada eleitoral:

  • Falta de experiência no Executivo: Um flanco já explorado por Lula em discursos públicos, que questiona a capacidade do senador de governar o Brasil.
  • Passado na Alerj: O esquema de rachadinhas ocorreu quando ele era parlamentar estadual, levantando dúvidas sobre sua gestão de um gabinete com 13 assessores.
  • Ligação com negócios questionáveis: Flávio foi sócio de uma loja de chocolates na Barra da Tijuca, apontada pelo Ministério Público do Rio como estrutura para lavagem de dinheiro das rachadinhas.

Sobre as movimentações financeiras flagradas pelo Coaf, o senador já deu explicações variadas, como em declaração de dezembro de 2018, onde justificou ser "um cara de negócios" que vive de "rolos", comprando e revendendo carros. Essa inconsistência nas respostas pode prejudicar sua imagem perante o eleitorado.

Impacto nas eleições e comparações com Lula

A estratégia de dizer "não sabia" pode igualar Flávio Bolsonaro a Lula em termos de defesa política, mas especialistas alertam que isso pode não soar bem para os eleitores em um contexto de campanha presidencial. O pré-candidato terá que enfrentar esses temas repetidamente em debates, entrevistas e comícios, onde obras de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de seu irmão Eduardo, anunciado como futuro chanceler, também serão usadas para desqualificá-lo.

A política brasileira, onde "papel aceita tudo", coloca Flávio em uma posição delicada: se como parlamentar estadual não conseguiu garantir a lisura em seu próprio gabinete, como convencerá o eleitor de que terá capacidade para administrar um país continental como o Brasil? A resposta a essa pergunta pode definir seu destino nas urnas em 2026.

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