Desembargador preso pela PF buscou Michel Temer para tentar chegar a Alexandre de Moraes
Desembargador preso buscou Temer para chegar a Moraes

Desembargador preso pela Polícia Federal buscou Michel Temer em tentativa de chegar a Alexandre de Moraes

De acordo com relatório da investigação, Macário Judice, desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), tinha a "esperança" de que o contato com o ex-presidente Michel Temer levasse o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a travar a investigação que culminou em sua prisão. Os investigadores da PF seguiram o magistrado até São Paulo e conseguiram registrar sua entrada no prédio onde fica o escritório de Temer.

Plano ousado após prisão de Bacellar

Em dezembro do ano passado, após a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, a Polícia Federal passou a monitorar Macário Judice. O desembargador era investigado por vazar informações da operação contra TH Joias, então deputado estadual apontado como operador financeiro do Comando Vermelho no Rio. Ciente de que seria o próximo alvo, Macário bolou um plano ousado para tentar chegar ao ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações no STF.

Desesperado, o magistrado voou a São Paulo para pedir a ajuda de Michel Temer. Ele queria que o ex-presidente, amigo de Moraes, intercedesse para evitar sua prisão. A PF documentou toda a viagem e o conteúdo da conversa com Temer por meio do que foi relatado por Macário à sua esposa, Flávia, em ligações grampeadas.

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Encontro em São Paulo e conversa grampeada

O encontro ocorreu na manhã de 10 de dezembro, uma semana depois da prisão de Bacellar. Macário e Temer conversaram por quase uma hora. Em uma ligação posterior à esposa, Macário revelou: "A gente chegou a redigir uma mensagem que ele ia mandar, mas ele disse: 'se você não tá no radar, e não tem nada na cabeça dele que te ligue, você vai despertar isso pra quê?' Ele é muito esperto, né amor?". O desembargador saiu do encontro aliviado, ainda que Temer tenha se recusado a falar diretamente com Moraes.

As mensagens e todos os registros do encontro estão no relatório da PF entregue ao ministro do STF. Com 188 páginas, o documento foi finalizado no dia 28 de janeiro e conclui pelo indiciamento dos investigados. A PF afirma que Macário tinha "esperança de que Temer intercederia a seu favor junto a vossa excelência com o intuito de frear a investigação".

Conclusões da investigação e prisão

O relatório destaca que "o alívio dos interlocutores é nítido após as palavras de tranquilidade apresentadas por Temer e escancara o período de tensão vivido pelo casal". Macário foi preso seis dias depois dessa visita a Temer, por ordem de Alexandre de Moraes. Ao Radar, o ex-presidente afirmou que recebeu Macário por ele ser um desembargador e que sequer cogitou acionar Moraes: "Recebo magistrados de todo o país. Achei que ele viria pedir meu apoio para se candidatar ao STJ".

Este caso ilustra as complexas relações entre o Judiciário e figuras políticas, além de destacar os métodos de investigação da Polícia Federal em operações de alto perfil. A tentativa de interferência na justiça através de contatos pessoais revela a pressão enfrentada por autoridades em meio a processos criminais.

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