Deputada Gorete Pereira recebeu conselho para ocultar propina no esquema do INSS
Conselho para ocultar propina no INSS envolve deputada Gorete

Deputada federal recebeu orientação para disfarçar pagamentos ilícitos em operação da PF

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), alvo de uma operação da Polícia Federal sobre um esquema de descontos indevidos no INSS, recebeu um conselho específico para ocultar a propina que supostamente recebia. De acordo com as investigações, a sugestão partiu do empresário Natjo de Lima Pinheiro, que propôs um método para disfarçar o fluxo de dinheiro.

Estratégia para dar aparência de legalidade

Em conversas interceptadas, Pinheiro sugeriu que os valores provenientes de entidades associativas passassem primeiro pelo escritório de advocacia de uma das investigadas antes de serem encaminhados à parlamentar. "Escritório de advocacia, eu acho mais legítimo, tem mais... Não é, no palavreado, mas tem moral para mandar o dinheiro, entendeu? Do que mandar da associação para a senhora. Não é melhor? O escritório de advocacia está passando para a senhora, então eu estou preservando as coisas", afirmou o empresário.

A resposta da deputada foi breve e evasiva: "Então, meu filho, você é que sabe". Essa troca de mensagens foi apresentada pela PF como parte das evidências do esquema, que envolvia desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social.

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Medidas cautelares e defesa da parlamentar

Gorete Pereira teve o pedido de prisão preventiva negado pela Justiça, mas foi submetida a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão judicial considerou os riscos de fuga e de obstrução das investigações, optando por restrições menos severas que a prisão.

Em nota oficial, a deputada se defendeu veementemente das acusações. Ela declarou que "não praticou qualquer ato ilícito" e que as informações divulgadas pela mídia e pelas autoridades "não refletem a realidade dos fatos". A defesa de Gorete argumenta que as conversas foram tiradas de contexto e que não há provas concretas de envolvimento em atividades criminosas.

Operação da Polícia Federal e investigações em andamento

A operação que colocou a deputada no centro das atenções faz parte de uma investigação mais ampla sobre fraudes no INSS. A PF apura um esquema organizado que teria causado prejuízos milionários aos cofres públicos através de descontos indevidos e repasses ilegais.

  • Interceptações telefônicas e quebra de sigilos bancários foram utilizadas como ferramentas de investigação.
  • Várias pessoas físicas e jurídicas estão sendo investigadas, incluindo empresários e advogados.
  • O foco é identificar a extensão da rede e os responsáveis pelos desvios.

As investigações continuam em andamento, com a expectativa de novas diligências e possíveis denúncias do Ministério Público. O caso tem gerado repercussão política significativa, especialmente no contexto de reformas previdenciárias e debates sobre a eficiência da gestão pública.

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