Vice-governadora do DF processa movimento Kizomba por cartazes críticos e pede R$ 30 mil
Celina Leão processa Kizomba por cartazes e pede R$ 30 mil

Vice-governadora do DF entra com ação judicial contra movimento estudantil por cartazes críticos

A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tomou uma medida judicial contundente ao processar integrantes e ex-integrantes do coletivo Kizomba, um movimento estudantil vinculado a partidos de esquerda. A ação, protocolada na Justiça, solicita uma indenização de R$ 30 mil por danos morais, alegando que a honra e a reputação da política foram gravemente ofendidas por meio de cartazes difamatórios.

Conteúdo dos cartazes gera controvérsia e acusações

Segundo a petição apresentada pela defesa de Celina Leão, no dia 26 de janeiro, membros do movimento Kizomba teriam colado diversos cartazes em pontos estratégicos do Distrito Federal. Esses materiais continham uma montagem na qual o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a própria vice-governadora apareciam segurando armas de fogo e sacos de dinheiro, acompanhados pelas expressões "crime do Master" e "Fora Ibaneis e Fora Celina Leão".

A defesa argumenta que o texto e as imagens atribuem, de maneira direta e inequívoca, a prática de conduta criminosa, configurando assim um dano moral significativo. A ação judicial busca reparação financeira e uma retratação pública, visando proteger a imagem da vice-governadora perante a sociedade.

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Reação dos acusados e defesa do movimento Kizomba

Entre os acusados, Gabriel Aquino declarou que não participa do movimento Kizomba há quase dois anos e recebeu com surpresa a intimação. Ele enfatizou que não esteve presente no ato de colagem dos cartazes e não organizou a ação, classificando a atitude de Celina Leão como "desmedida e desproporcional para uma democracia".

Outra militante intimada, Beatriz Nobre, também negou envolvimento direto, afirmando que não colou os cartazes e não é responsável por ações de terceiros. Ela considerou a conduta da vice-governadora uma resposta exagerada, especialmente em um Estado Democrático de Direito, onde a crítica a autoridades públicas é parte essencial do exercício democrático.

Em nota oficial, o movimento Kizomba manifestou solidariedade aos companheiros processados e denunciou o que chamou de perseguição política e jurídica. O grupo defendeu que a exibição dos cartazes críticos ao governo é um exercício legítimo da liberdade de expressão, acusando a ação judicial de tentar silenciar a juventude organizada do DF.

Posicionamento de entidades e repercussão política

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) emitiu uma nota repudiando a abertura do processo. A entidade criticou veementemente a exigência de indenização, classificando-a como um ataque frontal à democracia e ao Estado Democrático de Direito. A ADUnB argumentou que transformar críticas políticas e charges em infrações legais representa uma postura autoritária do Governo do Distrito Federal, que busca intimidar os movimentos sociais.

A nota da associação destacou ainda o contexto do escândalo envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master, que resultou em um rombo bilionário estimado em R$ 12 bilhões, ameaçando serviços essenciais como saúde e educação. A ADUnB reafirmou sua solidariedade aos estudantes do Coletivo Kizomba e sustentou que a população não deve arcar com os custos de transações articuladas pelo GDF.

O movimento Kizomba, em sua defesa, enfatizou que críticas a governantes não são crime e que questionar autoridades é um exercício democrático fundamental. Eles argumentaram que, em uma sociedade livre, figuras públicas devem ser constantemente avaliadas e cobradas pela sociedade, especialmente quando ocupam cargos de poder que afetam a realidade de milhares de vidas.

Este caso levanta debates importantes sobre os limites da liberdade de expressão, a criminalização da crítica política e o uso do Poder Judiciário em disputas de natureza ideológica. Enquanto a vice-governadora busca reparação por supostos danos à sua imagem, os acusados e seus apoiadores defendem o direito à manifestação e à organização política, alertando para riscos à participação social no Distrito Federal.

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