Ex-presidente da Alerj e ex-deputado são presos por vazamento de dados sigilosos
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de vazar informações sigilosas de operações policiais para o Comando Vermelho. Além dele, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras três pessoas foram indiciadas pelo mesmo crime.
Operação Unha e Carne prende Bacellar em dezembro
Bacellar foi detido em dezembro durante a Operação Unha e Carne, após mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado também determinou o afastamento do parlamentar da presidência da Alerj. Durante a prisão, a PF apreendeu mais de R$ 90 mil em espécie no carro do ex-presidente da casa legislativa.
TH Joias, por sua vez, foi preso anteriormente, em 3 de setembro, por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho e assumiu o mandato na Alerj em junho, mas perdeu o cargo após sua detenção.
Vazamento teria ocorrido durante Operação Zargun
A suspeita de vazamento de informações surgiu durante a Operação Zargun, conforme relatado pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira. Ele afirmou que houve dificuldade em localizar TH Joias no dia da ação, pois o parlamentar havia saído de seu condomínio na Barra da Tijuca por volta das 21h40 da véspera, deixando a casa "completamente desarrumada", o que sugeria uma fuga e destruição de provas.
TH Joias só foi encontrado horas depois na residência de um amigo, no mesmo bairro. A investigação aponta que Bacellar teria avisado TH Joias por telefone e orientado a destruir evidências criminosas.
Buscas na Alerj e conexões com facções criminosas
Alexandre de Moraes também expediu oito mandados de busca e apreensão, incluindo um no gabinete de Bacellar na Alerj. A ação da PF se insere no contexto da decisão do STF no julgamento da ADPF das Favelas, que determinou investigações sobre a atuação de grupos criminosos violentos no estado e suas conexões com agentes públicos.
A PF identificou um esquema de corrupção envolvendo a liderança do Comando Vermelho no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos. Segundo as investigações, a organização se infiltrava na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China.
Duas operações simultâneas atingem TH Joias
TH Joias foi alvo de duas operações simultâneas: a Operação Zargun, com mandados expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), e a Operação Bandeirante, conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Pela Operação Zargun, a PF cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, além do sequestro de bens no valor de R$ 40 milhões. A investigação foi realizada pela Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE) da PF e pelo Ministério Público Federal.
Pela Operação Bandeirante, a Procuradoria-Geral de Justiça do MPRJ denunciou TH Joias e outras quatro pessoas por associação para o tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo de uso restrito. A denúncia alega que os acusados mantinham vínculos estáveis com o Comando Vermelho, atuando nos complexos da Maré e do Alemão e em Parada de Lucas.
Acusados respondem por múltiplos crimes
Além de Bacellar e TH Joias, foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. Os acusados respondem por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas.
O MPRJ afirma que TH Joias utilizou o mandato para favorecer o Comando Vermelho, inclusive nomeando comparsas para cargos na Alerj. O grupo é acusado de intermediar a compra e venda de drogas, armas e equipamentos antidrones, além de movimentar grandes somas em espécie para financiar as atividades da facção.
A defesa dos acusados foi procurada, mas ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. O caso continua sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, com possibilidade de novas medidas judiciais.



