PF apreende arsenal bélico e revela patrimônio de luxo em investigação contra Bacellar e desembargador
Arsenal e patrimônio de luxo na investigação contra Bacellar e desembargador

Investigação da PF revela arsenal bélico e patrimônio milionário ligado a Bacellar e desembargador

As investigações conduzidas pela Polícia Federal contra o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o desembargador Macário Judice desvendaram um cenário de luxo extremo e poderio armamentista significativo. Segundo relatórios entregues ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, os investigadores identificaram um padrão de vida opulento e uma quantidade expressiva de armas que sustentam a tese de atuação de uma organização criminosa armada atuando no estado do Rio de Janeiro.

Patrimônio imobiliário de alto padrão chama atenção

A Polícia Federal mapeou diversos imóveis de luxo vinculados ao parlamentar, que demonstram um patrimônio aparentemente incompatível com seus rendimentos declarados. Entre as propriedades investigadas, destacam-se três localizações principais que ilustram o estilo de vida luxuoso mantido por Bacellar.

Mansão em Teresópolis: Localizada no exclusivo Condomínio Residencial Paço de São Luiz, a propriedade conta com uma casa principal de três andares equipada com elevador, além de casa de hóspedes, academia particular, capela, quadra poliesportiva e área gourmet completa. Registros oficiais indicam que Bacellar pagou integralmente o IPTU do imóvel em 2024, no valor de 21.236 reais, e que familiares vêm utilizando a residência desde 2022.

Apartamento na Avenida Atlântica: Trata-se de um imóvel de 650 metros quadrados que ocupa todo o sexto andar de um edifício de frente para a praia, equipado com porta blindada e decorado suntuosamente. O apartamento era utilizado como ponto de apoio, com Bacellar comparecendo ao local aproximadamente duas vezes por semana.

Propriedade em Campos dos Goytacazes: Um terreno de aproximadamente 70.000 metros quadrados no Parque Jockey Clube abriga uma edificação de grande porte em construção, campo de futebol com grama natural e quadras de areia, demonstrando o alcance territorial do patrimônio investigado.

Arsenal bélico apreendido surpreende autoridades

A quantidade e variedade de armas encontradas durante as diligências policiais chamaram a atenção das autoridades. No momento de sua prisão, Bacellar portava uma pistola Taurus GX4 calibre 9mm com carregadores e munição dentro de uma mochila em seu veículo. Em buscas complementares, foram apreendidos em seu nome uma Carabina Taurus, revólveres Rossi e Taurus, e uma pistola Glock.

O cenário tornou-se ainda mais crítico nas buscas relacionadas ao desembargador Macário Judice, apontado como braço jurídico do esquema de Bacellar. Segundo a Polícia Federal, seriam do magistrado um fuzil calibre 5.56 e uma pistola Beretta 9mm. Em outro endereço de Macário no Espírito Santo, a PF também encontrou dez armas, incluindo:

  • Espingardas calibre 12 de marcas Pardus, CBC, Mossberg e Boito
  • Revólveres calibre .357
  • Pistolas de diversos calibres, incluindo Glock .380, Taurus 9mm e Walther .22

Participação em frigorífico e empréstimos públicos investigados

Além dos imóveis e armas, a Polícia Federal investiga a participação oculta de Bacellar no frigorífico JGPS Comércio de Carnes Ltda, localizado em Campos dos Goytacazes. O empreendimento, que teria potencial de faturamento de 1 milhão de reais por mês, teria sido viabilizado por meio de empréstimos concedidos pela AgeRio sob influência direta do parlamentar, levantando questões sobre o uso de recursos públicos para benefício privado.

Para os investigadores, essa estrutura patrimonial complexa, somada ao controle de armas de fogo, evidencia a consolidação de um verdadeiro "Estado paralelo" focado no branqueamento de capitais e na dominação territorial. A combinação de poder político, recursos financeiros e poderio armamentista configura, segundo a PF, uma ameaça significativa à ordem pública e às instituições democráticas.

Defesa contesta acusações e classifica investigação como "ilações desamparadas"

Em resposta às acusações, a defesa de Rodrigo Bacellar negou veementemente que ele tenha cometido qualquer irregularidade e classificou as acusações da Polícia Federal como "ilações desamparadas" de provas. O jurista Daniel Bialski, representante legal do parlamentar, afirmou que "em relação ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas".

A investigação continua em andamento, com a Polícia Federal analisando documentos, transações financeiras e conexões entre os investigados para determinar a extensão completa da suposta organização criminosa. O caso já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e promete gerar desdobramentos significativos no cenário político e de segurança pública do Rio de Janeiro nos próximos meses.