A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo está investigando pelo menos 12 policiais do 50º Batalhão, localizado em Mairinque (SP), sob suspeita de participação em um amplo esquema de corrupção ligado ao tráfico de drogas na região. Conforme as investigações, os agentes são acusados de receber propina semanal de traficantes, roubar entorpecentes durante abordagens, forjar flagrantes e intimidar testemunhas, inclusive dentro de um hospital.
Detalhes da investigação
Entre os investigados estão dois sargentos, três soldados e sete cabos da PM. O grupo também é apontado como tendo vínculos com pessoas envolvidas no tráfico. A apuração começou após denúncias de que policiais estariam recebendo R$ 6 mil por semana para “fechar os olhos” para o tráfico de drogas em Mairinque.
Depoimento do entregador
Em depoimento à Corregedoria, um homem que se identificou como “entregador” do dinheiro detalhou como funcionava o esquema. Segundo ele, a mando de um traficante, realizava os pagamentos às sextas-feiras em uma rua sem saída próxima à Rodovia Raposo Tavares (SP-270). Um dos policiais que recebia a propina, um cabo da PM, usava seu carro particular para buscar o dinheiro. O mesmo depoente afirmou ter sido ameaçado duas vezes pelos policiais enquanto estava internado no Hospital de Mairinque, após ser preso.
Ações da Corregedoria
Para apurar as denúncias, a Corregedoria realizou uma série de diligências, incluindo uma no dia 16 de abril em São Roque, para aprofundar as investigações. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) confirmou que houve uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão, mas ninguém foi preso. “Como o procedimento ainda está em fase de instrução e tramita sob sigilo, não foram divulgados mais detalhes. As investigações prosseguem”, informou a pasta.
Padrão de vida dos policiais
A investigação também apura se o padrão de vida dos policiais é compatível com seus salários. A Corregedoria busca identificar possíveis enriquecimentos ilícitos e outras irregularidades.



