PF aponta Daniel Vorcaro como líder de organização criminosa no Banco Master
Vorcaro liderou organização criminosa no Banco Master, diz PF

O banqueiro Daniel Vorcaro comandou uma organização criminosa dentro do Banco Master, segundo relatório da Polícia Federal citado em decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta um gigantesco esquema de fraudes que movimentou bilhões de reais.

Esquema bilionário revelado pela Justiça

Em decisão de vinte páginas assinada no dia 6 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli determinou medidas severas com base nas descobertas da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR). A ordem inclui a quebra de sigilo bancário e fiscal de diversos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a 5,7 bilhões de reais.

O documento judicial descreve um sistema complexo de operações fraudulentas. Segundo Toffoli, houve um "aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização". Isso foi feito principalmente por meio do uso de fundos de investimento e uma rede intrincada de empresas ligadas por relações societárias, familiares ou funcionais.

Crimes investigados pela Polícia Federal

O relatório da Polícia Federal, mencionado na decisão, lista uma série de crimes graves. Os investigadores encontraram indícios consistentes de uma organização voltada para:

  • Gestão fraudulenta de instituição financeira
  • Induzimento ou manutenção em erro de investidor
  • Uso de informação privilegiada
  • Manipulação de mercado
  • Lavagem de capitais

Um relatório da Procuradoria da República em São Paulo, de maio do ano passado, detalha cinco oportunidades em que fontes oficiais, incluindo processos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), identificaram operações complexas e potencialmente ilícitas ligadas ao Banco Master.

Operações sob suspeita

As investigações cobrem um leque amplo de irregularidades. Entre as operações sob análise estão:

A aquisição e manipulação de ativos, conflitos de interesses claros, desvio de recursos, fraudes no mercado de capitais e uma gestão considerada temerária. A longa lista de investigados inclui, além do banqueiro Daniel Vorcaro, múltiplos empresários e operadores do mercado financeiro.

A decisão do STF evidencia a dimensão do caso, que envolve uma rede de entidades conectadas que teria sido usada para burlar a fiscalização e lesar investidores. O valor bloqueado, de 5,7 bilhões de reais, reflete a magnitude estimada do prejuízo causado pelo esquema.