Operação 'Linea Rubra' desarticula estrutura do Comando Vermelho no interior paulista
O Ministério Público de São Paulo, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Polícia Civil e com apoio da Secretaria da Fazenda, deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação 'Linea Rubra'. A ação teve como objetivo principal desmantelar a logística, as finanças e as operações do Comando Vermelho na região de Rio Claro e em outras cidades do interior do estado.
Resultados imediatos da operação policial
Como resultado das diligências, pelo menos cinco pessoas foram presas e a Justiça determinou o bloqueio de impressionantes R$ 33,6 milhões em contas bancárias. A operação representa um golpe significativo nas atividades criminosas da facção na região, que vinha ampliando sua atuação de forma preocupante.
Contexto da atuação do Comando Vermelho na região
As investigações, que se estenderam por oito meses, revelaram que o Comando Vermelho fortaleceu sua presença após disputas territoriais com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a desarticulação de uma organização rival em 2023. A facção, através do grupo Bonde do Magrelo – que conta com ex-associados do PCC –, aliou-se ao CV, gerando um conflito pelo controle do tráfico de drogas. Essa disputa resultou em um aumento alarmante nos homicídios em Rio Claro, onde a média de assassinatos por 100 mil habitantes chegou a ser três vezes superior à média estadual em 2025.
Principais alvos e esquema criminoso desvendado
O foco central das investigações é Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Bode, apontado como a liderança da facção na região e atualmente foragido, possivelmente escondido em comunidades do Rio de Janeiro. Calixto é acusado de coordenar a produção e distribuição de drogas em larga escala, controlar finanças milionárias e autorizar execuções de rivais.
O esquema criminoso operava com alto nível de profissionalização, utilizando:
- Carros cofre com fundos falsos para transporte de ilícitos
- Empresas de fachada e laranjas para lavagem de dinheiro
- Contas de pessoas físicas e jurídicas, incluindo construtoras e consultorias
- Transações via PIX, TED e depósitos em dinheiro para dificultar rastreamento
A movimentação financeira identificada ultrapassou R$ 1,19 milhão em menos de um mês, demonstrando a escala das operações.
Medidas judiciais decretadas e estrutura da operação
A Justiça expediu 26 mandados de busca e apreensão em Ribeirão Preto, Indaiatuba e Rio Claro, além de 19 mandados de prisão preventiva. Cinco prisões já foram cumpridas, enquanto outros seis alvos já se encontravam detidos. O impacto financeiro inclui:
- Sequestro de R$ 33,6 milhões em contas bancárias
- Bloqueio de ativos de 35 CPFs e CNPJs
- Sequestro de 12 imóveis e 103 veículos, com 26 apreendidos durante as diligências
Entre os presos está um empresário de Rio Claro, proprietário de uma garagem de veículos, localizado em uma residência de alto padrão. Durante a ação, foram apreendidos documentos, aparelhos celulares e três armas, cuja legalidade está sendo verificada.
A operação contou com uma estrutura robusta, envolvendo 120 policiais civis, três promotores de Justiça, 41 viaturas, o Serviço Aerotático da Polícia Civil e quatro auditores da Secretaria da Fazenda, que identificaram irregularidades fiscais em estabelecimentos ligados ao grupo criminoso.
Significado do nome 'Linea Rubra'
A denominação Linea Rubra, que significa Linha Vermelha em português, simboliza o marco institucional de impor um limite ao avanço territorial da organização criminosa no Estado de São Paulo. A operação representa um esforço coordenado para conter a expansão do Comando Vermelho em regiões tradicionalmente dominadas por outras facções.
