Operação Legado do MPRJ desmantela esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (19), a Operação Legado, uma ação de grande envergadura contra um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro associado à exploração do jogo do bicho na Zona Sul do Rio. A operação está diretamente ligada ao grupo comandado pelo ex-miliciano e contraventor Adriano da Nóbrega, que foi morto em 2021 na Bahia.
Mandados cumpridos e denúncias apresentadas
Os promotores do MPRJ cumpriram 2 mandados de prisão e 6 mandados de busca e apreensão, todos autorizados pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado. No total, 19 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, incluindo uma figura política de destaque: o deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu (União Brasil). É importante ressaltar que o parlamentar não foi alvo de buscas durante a operação.
Venda de imóveis rurais avaliados em R$ 3,5 milhões
Uma das denúncias apresentadas pelo MPRJ destaca a venda de dois imóveis rurais, avaliados em impressionantes R$ 3,5 milhões. Essas propriedades pertenciam a Adriano da Nóbrega, embora estivessem registradas em nome de terceiros, uma prática comum em esquemas de ocultação de patrimônio.
Segundo as investigações, após a morte do miliciano, sua viúva, Júlia Lotufo, teria negociado as propriedades diretamente com o deputado Juninho do Pneu. As autoridades afirmam que essa negociação ocorreu mesmo com o conhecimento de que o patrimônio estava sob o radar das forças de segurança, indicando uma tentativa de dissipar bens ilícitos.
Jogo do bicho em Copacabana e empresas de fachada
Outra frente crucial da Operação Legado mira a lavagem de dinheiro proveniente dos lucros do jogo do bicho na Zona Sul do Rio, com foco especial no bairro de Copacabana. O MPRJ revelou que Adriano da Nóbrega controlava pontos dessa contravenção em parceria com o bicheiro Bernardo Bello.
Parte dos valores ilícitos era lavada por meio de empresas de fachada, criadas exclusivamente para movimentar e ocultar recursos. A análise de apenas quatro dessas empresas já revelou mais de R$ 8,5 milhões movimentados em pouco mais de um ano. Entre esses negócios fictícios estavam:
- Um depósito de bebidas;
- Um bar;
- Um restaurante;
- E até um quiosque de serviços de sobrancelha em um shopping da Zona Norte, cuja conta registrou cerca de R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses.
Organização criminosa manteve atividades após morte de líder
A terceira denúncia da Operação Legado aponta que a organização criminosa não apenas se manteve ativa após a morte de Adriano da Nóbrega, como também teria sofisticado sua estrutura. O MPRJ afirma que Júlia Lotufo assumiu o comando das operações ilegais, gerenciando pessoalmente a contabilidade e o fluxo de ativos do grupo.
O esquema criminoso envolvia diversas atividades ilícitas, incluindo:
- Agiotagem;
- Exploração de contravenção (como o jogo do bicho);
- Negócios no mercado imobiliário irregular.
Entre os denunciados está Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega, indicando o alcance familiar das investigações. O Ministério Público Federal (MPF) foi consultado sobre eventual foro privilegiado devido à participação do deputado, mas se manifestou pela inexistência de relação entre os fatos e o exercício do mandato, afastando assim a competência federal.
As defesas dos citados na operação foram procuradas, mas ainda não responderam aos questionamentos das autoridades, deixando em aberto as próximas etapas deste complexo caso de crime organizado e lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.



