Vorcaro nega ameaças a jornalistas após mensagens sobre 'dar um pau' em colunista
Vorcaro nega ameaças após mensagens sobre agredir jornalista

Empresário preso nega intenção de ameaçar imprensa após revelações de mensagens

A assessoria de imprensa do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, divulgou uma nota afirmando que ele jamais teve a intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas. A declaração ocorre após a repercussão de mensagens reveladas pela Polícia Federal, nas quais Vorcaro solicita que o colunista Lauro Jardim, de O Globo, seja agredido em um assalto forjado.

Defesa alega contexto privado e colaboração com autoridades

Segundo o comunicado, Vorcaro declarou que "sempre respeitou o trabalho da imprensa" e manteve relacionamentos institucionais com diversos veículos de comunicação ao longo de sua trajetória. A defesa argumenta que as mensagens foram retiradas de contexto, caracterizando-as como desabafos privados sem objetivo de intimidação.

O empresário afirmou não se lembrar das conversas por telefone citadas nas investigações e garantiu que "jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência". A nota acrescenta que Vorcaro continua colaborando com as autoridades e confia que a análise completa das informações esclarecerá o que classifica como "interpretações equivocadas".

Mensagens revelam solicitação explícita de agressão

As investigações da Polícia Federal identificaram trocas de mensagens em que Vorcaro pede a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", que Lauro Jardim fosse agredido. Em uma das mensagens, o banqueiro escreve: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".

Mourão respondeu com símbolos de sinal positivo e questionou: "Pode? Vou olhar isso...", ao que Vorcaro confirmou: "Sim". Essas revelações motivaram manifestações de repúdio de entidades jornalísticas, como a Associação Nacional de Jornais, a Federação Nacional dos Jornalistas e o Repórteres Sem Fronteiras, que classificaram o episódio como um ataque à liberdade de imprensa.

Operação Compliance Zero e estrutura criminosa

Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades na gestão do Banco Master. A Polícia Federal descreve o banqueiro como parte de uma organização criminosa chamada "A Turma", que atuava como uma milícia privada utilizando violência e coação.

Segundo as investigações, o esquema tinha quatro núcleos de atuação:

  • Núcleo financeiro para fraudes contra o sistema financeiro
  • Núcleo de corrupção institucional para cooptação de servidores do Banco Central
  • Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro
  • Núcleo de intimidação e obstrução de Justiça para monitoramento ilegal

Além de Vorcaro, também foram presos Mourão e o policial aposentado Marilson Silva. A defesa do banqueiro afirma que ele colaborou "de forma transparente com as investigações desde o início".

Contexto judicial e repercussões políticas

Esta foi a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça após assumir a relatoria do caso. Seu antecessor, Dias Toffoli, deixou a relatoria após a PF enviar ao tribunal um documento com menções ao ministro no celular de Vorcaro e conversas entre ambos.

Toffoli posteriormente admitiu ter recebido valores de um fundo ligado ao Banco Master, mas negou manter relação com o empresário. Não houve declaração de impedimento ou suspeição do ministro, que continua apto a votar no processo por integrar a mesma turma do STF que Mendonça.

As entidades jornalísticas destacaram em suas notas que ameaças contra profissionais da imprensa atingem o direito da sociedade à informação e cobraram apuração rigorosa dos fatos, manifestando solidariedade ao jornalista Lauro Jardim.