Treinador de futebol é investigado por suspeita de pedofilia em Piraju, SP
Treinador investigado por pedofilia em Piraju, SP (11.02.2026)

Treinador de futebol é investigado por suspeita de pedofilia em Piraju, SP

A Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de um treinador de futebol investigado por suspeita de pedofilia em Piraju, interior de São Paulo. A ação ocorreu no dia 30 de janeiro, mas foi divulgada pelas autoridades apenas nesta quarta-feira, 11 de fevereiro. O mandado foi executado no Conjunto Habitacional "Vereador Osvaldo Dearo Castilho", onde foram apreendidos diversos aparelhos eletrônicos que agora passam por perícia técnica para identificar possíveis evidências dos crimes.

Denúncias abrangem período de 26 anos

De acordo com informações da polícia, pelo menos quatro denunciantes relataram abusos em situações semelhantes às autoridades. Os casos teriam ocorrido em períodos distintos, sendo o primeiro registrado em 1998 e o mais recente em 2024. Todas as vítimas eram do sexo masculino e tinham entre 7 e 13 anos na época dos supostos abusos.

O investigado é proprietário de uma escola de futebol que continua em funcionamento e é financiada por pais de alunos e empresários da região. Em um dos registros policiais, datado de 2024, consta que uma vítima, ainda menor de idade, procurou o Conselho Tutelar para denunciar o caso e precisou de atendimento especializado no Centro de Referência de Assistência Social (Cras).

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Detalhes chocantes dos relatos

Segundo os documentos policiais, os abusos teriam ocorrido durante aulas de educação física. "[A mãe] passou a perceber alterações no comportamento do filho, o qual se recusou a participar dos treinos de futebol, atividade que praticava desde o início do ensino fundamental. Informa, ainda, que o menor passou a apresentar episódios de revolta, os quais se identificaram até o dia em que o próprio decidiu procurar o Conselho Tutelar", diz um dos registros.

Em outro boletim de ocorrência, de 2005, foi relatado que o professor costumava abordar os alunos durante os treinamentos e os convidava a ir até sua casa. Nesse caso específico, os abusos teriam ocorrido múltiplas vezes contra a mesma vítima. "Nas primeiras vezes, o abuso se restringiu a toques nas pernas e no pênis [...] Em uma determinada vez, ele pediu para que a vítima deitasse de barriga para baixo e tentou a penetração, que ele só conseguiu na terceira vez. O professor disse para a vítima não contar aquilo para ninguém e disse que aquilo o ajudaria nos treinos", descreve o documento policial.

Vítima relata sequelas psicológicas

Em entrevista ao g1, uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou que segue em atendimento psicológico até os dias atuais. Ele afirmou que só teve coragem de tornar o caso público em 2025, através de uma postagem nas redes sociais, aproximadamente vinte anos após os abusos. "Foi uma coisa que começou a me fazer muito mal, mesmo na idade adulta. Quando isso voltou, eu comecei a sentir tudo de novo. Tive ansiedade, depressão e dermatite. Eu não devo ter sido o primeiro, muito menos o último", lamentou a vítima.

Respostas das autoridades e do investigado

Em nota oficial, a Prefeitura de Piraju informou que o homem atua na rede pública municipal desde 1992 e que, atualmente, exerce o cargo de monitor de esportes. Ele foi afastado das funções em razão das denúncias, e dois processos administrativos foram instaurados contra o suspeito. "A prefeitura abriu dois processos administrativos para apuração da denúncia, inclusive com pedido de afastamento enquanto a apuração do caso. O referido monitor não tem contato algum com crianças e adolescentes dentro das atividades municipais do departamento", afirmou a prefeitura.

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O g1 procurou o treinador para um posicionamento e, em resposta, ele publicou um vídeo de esclarecimento nas redes sociais. "Recentemente fiquei sabendo de diversas acusações com relação a minha pessoa. Eu sou uma pessoa de família. Jamais na minha vida eu cometeria algo dessa natureza, principalmente com crianças", declarou o investigado. No registro, ele reforçou que atualmente é casado e tem dois filhos adolescentes, e que vai provar sua inocência. "Eu sempre tive um carinho e respeito por todas as crianças. Todas as acusações estão me deixando muito triste, eu já fui agredido fisicamente. Jamais eu, professor, todos me conhecem, sabem da minha idoneidade. Essas acusações são infundadas e eu vou provar minha inocência durante essas investigações".

Investigacão segue em sigilo

O Ministério Público informou que os fatos estão sob investigação da Polícia Civil e que os procedimentos tramitam sob sigilo, devido à natureza grave do crime apurado e à possível existência de outras vítimas. A delegacia de Piraju continua com as investigações do caso, que tem mobilizado a comunidade local e gerado preocupação entre familiares de crianças e adolescentes da região.