Tenente da PM é investigada por agiotagem após manicure pagar R$ 18,4 mil em dívida de R$ 2,5 mil
Tenente da PM investigada por agiotagem em Goiás

Tenente da Polícia Militar é investigada por suspeita de agiotagem em Goiás

Uma tenente da Polícia Militar do Estado de Goiás está sendo investigada por suspeita de prática de agiotagem e ameaças contra uma manicure de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. O caso veio à tona após a vítima relatar que assumiu uma dívida inicial de R$ 2,5 mil com a policial militar Rhainna Lima e já pagou mais de R$ 18,4 mil, sem conseguir quitar o valor.

Dívida que não para de crescer

A manicure, que preferiu não se identificar, contou que a dívida começou com um empréstimo que sua irmã contraiu com a tenente. Quando assumiu o compromisso, o valor já havia saltado para R$ 11 mil e, posteriormente, para R$ 36 mil. "De R$ 2,5 mil foi para R$ 11 mil. De R$ 11 mil, foi para R$ 36 mil. De R$ 36 mil, já está em não sei quantos mil. Ela não para, não tem condições", desabafou a profissional.

Segundo seu relato, as ameaças começaram quando ela demonstrou dificuldades para continuar pagando. "Aí ela começou com as ameaças dela", afirmou, citando que a policial teria dito: "Eu boto fogo na sua casa com seus filhos dentro".

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Defesa da policial e versão dos fatos

A tenente Rhainna Lima nega veementemente as acusações. Em suas redes sociais, ela afirmou que estava sofrendo um golpe da manicure e sua família. "Em 2024, eu emprestei dinheiro para ela, para o filho, para a filha, para a irmã e para a sobrinha dela. E isso confiando nela e que ela pagaria normalmente. [...] Ela e a família dela me ludibriaram, estavam me dando um golpe e isso poderia configurar até estelionato", declarou.

Sua defesa reforçou que a tenente agiu de boa-fé, acreditando estar ajudando uma família com dificuldades financeiras. Segundo os advogados, ela cobrou apenas o valor emprestado, sem acréscimos ou vantagens, e não fez qualquer tipo de ameaça.

Investigações em andamento

A denúncia foi formalizada na Corregedoria da Polícia Militar e no Ministério Público de Goiás. A Polícia Militar emitiu nota informando que abriu um procedimento administrativo para apurar eventual transgressão disciplinar e indícios relacionados à possível prática de crime militar.

A corporação destacou que a tenente atualmente exerce atividades exclusivamente administrativas e reafirmou que não tolera desvios de conduta, atuando com rigor técnico e imparcialidade.

O Ministério Público do Estado de Goiás também está investigando o caso, conforme apuração do repórter Honório Jacometto. A policial se recusou a dar entrevista à TV Anhanguera, mantendo sua versão através de sua defesa.

Detalhes das cobranças

A manicure relatou que conheceu Rhainna há quatro anos. Inicialmente, a policial expressou interesse em emprestar dinheiro a juros e pediu indicações. A profissional indicou sua irmã, mas com o tempo, os empréstimos se tornaram mais formais e as cobranças passaram a ser feitas por terceiros.

Ela recebeu uma lista com parcelas semanais de R$ 60, com multa de R$ 20 por dia em caso de atraso. "Todo tanto que dava, ela tinha um juro. Todo dia ela tinha um juro, aí não parou mais", contou. As cobranças ocorriam a qualquer hora, através de ligações e mensagens.

A manicure tentou negociar um valor fixo para quitação, mas afirma que a tenente "não para", mantendo as cobranças incessantes. O caso expõe uma situação grave que envolve alegações de crime financeiro e abuso de autoridade, com investigações que podem ter desdobramentos significativos na esfera militar e criminal.

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