Tenente-coronel da PM é preso por feminicídio em São José dos Campos após morte da esposa
Tenente-coronel da PM preso por feminicídio em São José dos Campos

Tenente-coronel da PM é preso por feminicídio em São José dos Campos

Imagens exclusivas da Rede Vanguarda registraram o momento em que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso pela polícia em São José dos Campos, na manhã desta quarta-feira, 18 de março. O oficial foi indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado.

Detenção ocorreu no apartamento do oficial

A prisão aconteceu por volta das 8h12, no apartamento do tenente-coronel localizado na rua Roma, no Jardim Augusta, região central de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Cerca de 40 minutos depois, às 8h50, ele foi conduzido por um comboio de agentes da Polícia Civil e da corregedoria da PM. Durante a saída, houve uma colisão entre duas viaturas, mas sem feridos.

A Polícia Civil informou que o suspeito será levado para o 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde será interrogado e formalmente indiciado. Após os procedimentos, o tenente-coronel passará por exames de corpo de delito e será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, também na capital. A expectativa é que o Inquérito Policial Militar seja concluído nos próximos dias.

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Laudos periciais foram decisivos para a prisão

Na terça-feira, 17 de março, a Justiça Militar acolheu o pedido de prisão do policial, com aval do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da PM. A decisão foi baseada em laudos da Polícia Técnico-Científica que anexaram evidências cruciais ao processo. Dois laudos foram determinantes:

  • Trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima
  • Profundidade dos ferimentos encontrados

Com base nesses documentos, o delegado concluiu que Gisele não cometeu suicídio. Os laudos confirmaram que ela não estava grávida, não foi dopada, e que havia manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento. Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou consumo de drogas ou bebidas, a delegacia aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística para esclarecer a dinâmica do disparo.

Caso foi inicialmente registrado como suicídio

O incidente ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro. O corpo da vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou lesões no rosto e no pescoço. Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser investigado como possível feminicídio após decisão judicial. A defesa do tenente-coronel sustenta que a soldada tirou a própria vida, enquanto a família da vítima contesta essa versão, afirmando que Gisele foi vítima de feminicídio.

Problemas no relacionamento e visitas prévias

Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que ela enfrentava problemas no relacionamento. Em um trecho, ela afirma: "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata". A mãe da vítima relatou em depoimento que a filha vivia um relacionamento abusivo, com o oficial sendo controlador e violento.

Na terça-feira, o tenente-coronel recebeu a visita de um homem no prédio onde mora, no Jardim Augusta. A apuração indica que o visitante tem ligação com uma igreja evangélica, mas ele não quis falar com a imprensa. Imagens mostram o oficial descendo à portaria para encontrar o visitante, com ambos conversando rapidamente e deixando o local sem comentários.

Defesa mantém versão de suicídio

Quase um mês após a morte, a defesa do tenente-coronel ainda sustenta que a soldado cometeu suicídio. O advogado Eugênio Malavasi declarou: "A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio". Em contrapartida, o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, afirmou: "Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe à polícia provar".

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Laudos da perícia apontaram lesões no rosto e no pescoço da policial, indicando que o disparo foi feito à queima-roupa. A ausência de vestígios de pólvora nas mãos dela levanta dúvidas sobre a hipótese de suicídio. Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.