Servidora acusada de desviar 200 armas é afastada e obrigada a usar tornozeleira eletrônica
Servidora afastada por desviar 200 armas usa tornozeleira

Servidora da Polícia Civil é afastada e monitorada após desvio de armas apreendidas

A servidora pública Vanessa de Lima Figueiredo, investigada por supostamente desviar mais de 200 armas de fogo apreendidas pela Polícia Civil de Minas Gerais, foi oficialmente afastada do exercício de suas funções e proibida de frequentar qualquer unidade da corporação no estado. A decisão judicial, publicada no Diário Oficial desta terça-feira (10), representa mais uma etapa nas medidas restritivas impostas à acusada, que já havia sido obrigada a usar tornozeleira eletrônica desde fevereiro.

Medida preventiva após tentativa de viagem internacional

A imposição do monitoramento eletrônico ocorreu após as autoridades descobrirem que Vanessa havia adquirido uma passagem aérea com destino aos Estados Unidos, com embarque programado para apenas quatro dias antes de uma audiência judicial do processo. Segundo a Justiça mineira, essa ação indicava risco concreto de fuga, motivando o pedido do Ministério Público de Minas Gerais para a implementação da tornozeleira. Além do dispositivo de rastreamento, a decisão proibiu expressamente que a servidora deixe o território nacional e determinou a retenção imediata de seu passaporte.

A defesa de Vanessa de Lima Figueiredo afirmou que a viagem foi cancelada, mas as autoridades mantiveram as medidas cautelares devido à gravidade das acusações. A servidora, de 44 anos e natural de Belo Horizonte, passou por audiência de custódia nesta terça-feira (11), reforçando o acompanhamento judicial rigoroso do caso.

Contexto do desvio milionário e conexões criminosas

Vanessa de Lima Figueiredo foi presa inicialmente em novembro de 2025, suspeita de envolvimento direto no desvio de aproximadamente 220 armas de fogo que estavam armazenadas na 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte. O sumiço do arsenal veio à tona quando um suspeito foi flagrado portando uma arma que já havia sido apreendida anteriormente, desencadeando uma investigação aprofundada.

Segundo as apurações, parte significativa das armas desviadas foi vendida para organizações criminosas, incluindo a facção Terceiro Comando Puro (TCP). O dinheiro obtido com essas transações ilegais teria sido utilizado pela servidora para adquirir dois veículos de alto padrão e realizar diversos procedimentos estéticos, evidenciando o enriquecimento ilícito associado ao esquema.

Prejuízo público e ampliação das investigações

Um laudo pericial anexado ao processo calcula que o desvio causou um prejuízo superior a R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. O documento, ao qual a TV Globo teve acesso, também registra que algumas das armas desviadas já foram recuperadas em diferentes regiões de Minas Gerais, estando vinculadas a crimes graves como tráfico de drogas, porte ilegal de arma e lesão corporal.

A investigação foi dividida para aprofundar as apurações e verificar a possível participação de indivíduos fora do serviço público. Atualmente, o inquérito aponta três investigados que não são servidores, suspeitos de auxiliar na circulação e no destino final das armas desviadas. Esses indivíduos foram intimados a depor entre os dias 17 e 19 de março, ampliando o escopo do caso.

Trajetória profissional e consequências

Vanessa de Lima Figueiredo é servidora efetiva do estado de Minas Gerais, aprovada em concurso público realizado pela Polícia Civil em 2013 e nomeada para o cargo de analista da instituição em julho de 2014. Seu afastamento e as medidas restritivas impostas destacam a gravidade das acusações e o comprometimento das instituições em combater desvios de conduta dentro da própria corporação policial.

O caso continua sob investigação, com expectativa de novas descobertas sobre a rede envolvida no desvio e recuperação das armas restantes, visando a responsabilização de todos os implicados e a reparação dos danos causados à segurança pública.