Professor de Direito é preso preventivamente no RS por múltiplos crimes sexuais
O professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa foi preso nesta segunda-feira (2), em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, após decisão judicial que atendeu a pedido do Ministério Público estadual. A desembargadora Naele Ochoa, do Tribunal de Justiça do RS, concedeu a prisão preventiva do profissional, que enfrenta uma denúncia por doze crimes contra dez mulheres, abrangendo delitos graves como estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.
Investigação detalhada e relatos das vítimas
A investigação policial, que se estendeu por três meses, reuniu depoimentos de 18 vítimas e 16 testemunhas, além de perícias, exames e provas documentais robustas. Os casos de abusos sexuais teriam ocorrido entre 2013 e 2025, com um inquérito indiciando o professor por supostos crimes sexuais cometidos em 24 ocasiões. Quatro mulheres que alegam ter sido vítimas de Conrado concederam entrevistas à RBS TV, descrevendo experiências traumáticas de violência física e psicológica.
Uma das vítimas relatou ter sido estuprada por alguém em quem depositava total confiança, após ingerir uma bebida alcoólica oferecida por ele em uma festa. Ela acordou no dia seguinte ferida e ensanguentada, necessitando de hospitalização. Outra mulher descreveu um relacionamento que começou idílico, mas se transformou em um "inferno", com episódios de sufocamento, tapas e hematomas pelo corpo durante atos sexuais violentos.
Medidas cautelares anteriores e demissão
Antes da prisão preventiva, a Justiça do RS já havia imposto uma série de medidas cautelares contra Conrado Paulino da Rosa. Entre as restrições, estavam o monitoramento eletrônico por tornozeleira, comparecimento mensal em juízo, proibição de contato com vítimas e testemunhas, impedimento de frequentar instituições de ensino superior, congressos e simpósios, além de recolhimento domiciliar noturno e retenção do passaporte.
O professor trabalhava na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) de Porto Alegre, onde foi demitido após o início da investigação policial. Ele lecionava para alunos de graduação e mestrado em direito e coordenava a pós-graduação em Direito de família e sucessão. A FMP afirmou que o desligamento foi "definido em caráter administrativo", sem pré-julgamento sobre responsabilidades relacionadas a fatos externos à instituição.
Violência psicológica e manipulação
Outra vítima destacou a violência psicológica sofrida, descrevendo como o suspeito a manipulava para que se sentisse culpada pelos abusos. Ela relatou que evitava usar camisetas de manga curta para esconder hematomas nos braços e que sua vida ficou "acabada" por muito tempo após o término do relacionamento. O caso ganhou visibilidade a partir de uma denúncia anônima, que levou a polícia a convocar mulheres que tiveram relações com Conrado para depor.
Em declaração via Instagram, o professor afirmou que "a verdade dos fatos se sobressairá" e que "repudia violência contra a mulher". No entanto, a defesa informou ao g1 que ainda não teve acesso ao teor completo da denúncia, prometendo se manifestar assim que obtiver os documentos. A Polícia Civil, por se tratar de crimes sexuais, não divulgou detalhes específicos da investigação, mas ressaltou que a apuração conta com relatos consistentes entre si e que as possíveis vítimas passarão por perícia psicológica.
Para denunciar casos de violência, as vítimas podem procurar a Delegacia da Mulher, qualquer Delegacia de Polícia ou utilizar a Delegacia Online para registrar boletins de ocorrência sem necessidade de deslocamento presencial.



