Polícia Civil tenta acessar imagens de câmeras em residência de família desaparecida em Cachoeirinha
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga novas linhas que podem ajudar a esclarecer o misterioso desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, que não é vista há mais de um mês. As principais frentes de apuração incluem a possível recuperação de gravações das câmeras de segurança da casa, a retirada de uma televisão do imóvel e a análise do celular de Silvana encontrado sem impressões digitais.
Família desaparecida e caso classificado como feminicídio
Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70, estão desaparecidos desde os dias 24 e 25 de janeiro. Na última quarta-feira, 25 de fevereiro, Silvana passou a integrar a lista de feminicídios de 2026 no Rio Grande do Sul, tornando-se a 20ª vítima do ano. Até o momento, nenhum corpo foi localizado pelas autoridades.
O principal suspeito é o ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, policial militar que está preso temporariamente por suspeita de envolvimento no crime. A polícia considera a possibilidade de concluir o inquérito mesmo sem localizar os corpos, diante das evidências coletadas.
Busca por gravações das câmeras de segurança
Na quinta-feira, 26 de fevereiro, a corporação informou que solicitou ao fabricante das câmeras instaladas na casa da família uma análise técnica para verificar se as imagens captadas pelos equipamentos podem ter sido armazenadas em outro dispositivo, mesmo após a retirada do acesso local. A residência possui pelo menos duas câmeras externas.
Segundo os investigadores, caso exista algum registro preservado da noite em que a família desapareceu, o material pode ser crucial para esclarecer o trajeto e a identificação de um carro vermelho que entrou no imóvel no dia 24 de janeiro. Este veículo é considerado fundamental pela polícia para o avanço do caso.
De acordo com a investigação, o automóvel entrou na residência, saiu logo em seguida e, pouco depois, o carro de Silvana chegou ao local. Horas mais tarde, o mesmo veículo vermelho retornou, permanecendo por apenas 12 minutos antes de ir embora definitivamente. Até agora, nem o carro nem o motorista foram identificados, levando a polícia a convocar proprietários de veículos do mesmo modelo e cor para prestar esclarecimentos.
Retirada de televisão e celular encontrado
A polícia também investiga a suspeita de que o ex-marido de Silvana possa ter retirado uma televisão da casa da desaparecida e levado para sua própria residência. Este movimento chamou a atenção dos investigadores e agora é analisado detalhadamente no inquérito.
O celular de Silvana foi encontrado no dia 7 de fevereiro, embaixo de uma pedra, enrolado em um pano preto em um terreno baldio nas proximidades do minimercado da família Aguiar. Não foram encontradas impressões digitais no aparelho, e as câmeras do dispositivo estavam cobertas por fitas adesivas, o que impediu qualquer registro remoto na noite do desaparecimento.
A investigação agora tenta determinar se mensagens apagadas do celular foram excluídas automaticamente pelo sistema ou manualmente por alguém com acesso ao dispositivo. Com o avanço das apurações, as autoridades praticamente descartam encontrar a família com vida.
Linha do tempo do caso
O desaparecimento da família Aguiar segue uma complexa sequência de eventos:
- Antes do sumiço: Em 2 de janeiro, Silvana solicita o contato do Conselho Tutelar em um grupo de mensagens. Em 9 de janeiro, ela comparece ao Conselho para registrar que seu ex-marido desrespeitava as restrições alimentares do filho do casal.
- Fim de semana dos desaparecimentos: Em 24 de janeiro, Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em suas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas a polícia confirmou que o acidente nunca aconteceu, sendo a postagem uma tentativa de despistar o desaparecimento.
- Início das investigações: Em 27 e 28 de janeiro, as ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. Em 1º de fevereiro, Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros mostrando o veículo do casal.
- Perícias e prisão: Em 5 de fevereiro, a perícia encontra vestígios de sangue no banheiro e na área externa da casa de Silvana. Em 10 de fevereiro, Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita.
O caso continua sob intensa investigação da Polícia Civil, que busca respostas para um dos desaparecimentos mais intrigantes do ano no Rio Grande do Sul.



