Tenente-coronel da PM de São Paulo rebate acusações após morte da esposa com tiro na cabeça
O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, classificou nesta quarta-feira (11) como "narrativas" as alegações de que seria uma pessoa violenta e abusiva. Segundo o oficial, essas acusações estariam sendo feitas pela família de sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta dentro do apartamento do casal com um tiro na cabeça.
"A família fala o que quiser. É cada dia uma mentira diferente para denegrir a minha imagem", afirmou Geraldo Neto em entrevista à TV Record. "O Brasil inteiro acha que eu sou um assassino", acrescentou o militar, demonstrando preocupação com sua reputação pública.
Laudo do IML revela lesões no pescoço e rosto da vítima
Gisele Alves Santana chegou a ser socorrida após o incidente, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Um laudo do Instituto Médico Legal divulgado na terça-feira (10) revelou que a policial apresentava lesões no pescoço e no rosto com sinais de dedos e unhas ao redor das marcas.
O tenente-coronel ofereceu uma explicação alternativa para essas lesões, sugerindo que poderiam ter sido causadas pela filha de Gisele, de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. "Acredito que essas marcas tenham sido causadas pela filha dela, que a mãe carregava no pescoço em atividades recreativas", declarou o oficial.
Polícia Civil trata caso como morte suspeita e avalia prisão
A Polícia Civil está tratando o caso como morte suspeita e avalia pedir a prisão preventiva do tenente-coronel. Geraldo Neto afirmou não compreender as possíveis motivações para o suposto suicídio de sua esposa. "Uma mulher bonita, simpática, jovem", descreveu. "Todos os dias eu falo para Deus consolar meu coração", completou emocionado.
O oficial também detalhou suas ações no dia do incidente, explicando que tomou um segundo banho porque "estava passando mal" e porque "sabia que eu ia precisar ir ao hospital para acompanhar minha esposa, à polícia para prestar depoimento".
Questões sobre preservação da cena do crime
O fato de Geraldo Neto ter retornado ao apartamento após o atendimento médico à esposa levantou questões sobre a preservação adequada da cena do crime para a realização da perícia. O tenente-coronel negou qualquer interferência, afirmando que foi seu superior na PM quem determinou uma limpeza no local horas após o crime.
"Lógico que não", respondeu quando questionado se havia mexido em algo no local onde Gisele morreu. "A limpeza foi feita após a realização da perícia e não haveria impedimento para isso", justificou.
Negativas sobre controle e restrições à esposa
O militar também negou veementemente que proibisse a esposa de usar batom, salto alto ou perfume. "Pega as redes sociais dela. Em todas as fotos ela está de batom, de maquiagem, muito bem vestida. Tem fotos dela de biquíni", argumentou. "Eu não culpo os pais dela por terem essa dúvida [sobre a morte dela]. Se estivessem no apartamento só ela e a mãe dela, e ela se matasse, eu iria desconfiar que foi a mãe dela que a matou", declarou, tentando compreender a desconfiança da família.
Detalhes do incidente e contexto do casal
Segundo o relato do tenente-coronel à polícia, ele ouviu um disparo de arma de fogo enquanto estava no banho e, ao sair, encontrou a esposa já caída no chão com sangramento intenso e uma pistola nas mãos. A arma, que foi apreendida, pertencia a Geraldo Neto, que afirmou guardá-la sobre o armário do quarto sem trancar o cômodo naquele dia.
Gisele Alves Santana integrava a Polícia Militar há mais de dez anos e exercia função administrativa. Policiais militares que atenderam à ocorrência relataram que, quando chegaram ao local, uma Unidade de Suporte Avançado realizava manobras de reanimação cardiopulmonar na soldado.
Ações judiciais planejadas e controvérsias sobre redes sociais
O tenente-coronel revelou que seu advogado está preparando uma pasta com vários arquivos para entrar com ações por calúnia, difamação e danos morais. Sobre as controvérsias envolvendo mensagens enviadas a um primo de Gisele, Neto afirmou que tinha acesso às redes sociais dela porque ela também tinha acesso às suas, e que foi a própria esposa quem pediu que enviasse as mensagens.
O caso continua sob investigação da Polícia Civil, que analisa todas as evidências e depoimentos para esclarecer as circunstâncias da morte da policial militar.



