Operação da PF prende policiais civis por extorsão de traficantes do Comando Vermelho
PF prende policiais civis por extorsão a traficantes do Comando Vermelho

Operação Anomalia da PF prende policiais civis por extorsão a traficantes do Comando Vermelho

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 1º de março de 2026, uma nova fase da Operação Anomalia, com o objetivo de desmantelar um núcleo criminoso composto por policiais civis no estado do Rio de Janeiro. O grupo é acusado de extorquir traficantes do Comando Vermelho (CV), a maior facção criminosa presente no território fluminense.

Mandados de prisão e busca cumpridos

Cerca de 40 agentes da PF cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos detidos estão os policiais civis Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, além do delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves. Também foi alvo Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, um traficante que já estava na prisão.

O grupo pode responder pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais. Segundo a PF, os investigados utilizavam a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, praticando corrupção e lavagem de dinheiro de forma sistemática.

Movimentação financeira milionária e empresas de fachada

A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária, incompatível com seus vencimentos lícitos. Para ocultar e dissimular o capital ilícito, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, que agora são alvos de suspensão judicial.

Como parte das medidas cautelares, os policiais investigados foram afastados, as empresas jurídicas usadas nas práticas criminosas foram suspensas, e houve bloqueio de contas bancárias e criptoativos supostamente ligados aos envolvidos. Agentes encontraram dinheiro em espécie na residência de um dos policiais, localizada na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Primeira fase da operação e esquema de propinas

Na véspera, na primeira etapa da operação, foi preso o delegado federal Fabrízio Romano, sob suspeita na investigação que atingiu o ex-deputado estadual TH Joias, detido por envolvimento com o Comando Vermelho. A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendendo a um pedido da PF.

A ação também mirou advogados e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, que atuavam como intermediários de propinas do tráfico de drogas ao delegado, em troca de informações e influência. As investigações apontam que Romano liderava o esquema ao lado de um policial civil, emitindo intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro.

Os policiais exigiam o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício, com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para manter distanciamento da facção, contavam com dois intermediários, que facilitavam as negociações ilícitas.

Impacto e continuidade das investigações

A Operação Anomalia representa um golpe significativo nas estruturas criminosas que se infiltram nas instituições públicas, destacando a corrupção sistêmica e a lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro. As investigações continuam em andamento, com a PF monitorando possíveis desdobramentos e conexões com outros esquemas similares.

Este caso evidencia a necessidade de fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência nas forças policiais, visando combater a infiltração do crime organizado e proteger a integridade das instituições estatais.