A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. O congressista é um dos líderes do centrão em Brasília, conhecido por seu pragmatismo político.
Trajetória política
Nascido em 1968, em Teresina, no Piauí, Ciro Nogueira formou-se em direito pela PUC-RJ. Foi deputado federal por quatro mandatos consecutivos, de 1995 a 2011, quando assumiu o Senado Federal, sendo reeleito em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas (PP).
Ao longo de sua carreira, alternou entre apoiar governos petistas e integrar a base de Jair Bolsonaro (PL). Já chamou Lula de “melhor presidente da história” e, posteriormente, classificou Bolsonaro como “fascista” e “preconceituoso”, antes de se tornar um de seus principais defensores.
Durante a CPI da Covid, liderou uma tropa de choque para defender o governo Bolsonaro, mas ausentou-se no depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo. Em contrapartida, defendeu ferrenhamente o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.
Relação com Bolsonaro e a Casa Civil
Em 2020, Ciro Nogueira presenteou Bolsonaro com uma camisa do River do Piauí, time do qual é torcedor fanático e ex-presidente. O gesto simbolizou a aproximação do centrão com o governo. Em 2021, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, cargo estratégico de coordenação das ações governamentais.
Em 2022, foi alvo de outra operação da PF, sob suspeita de receber R$ 500 mil da JBS para que o PP apoiasse a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014. O caso foi arquivado por falta de provas, assim como outros oito processos no STF.
Transição e aproximação com Lula
Ao fim do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira anunciou a transição para o governo Lula. Em 2025, foi recebido pelo presidente Lula na Granja do Torto, em busca de um acordo para sua reeleição ao Senado. A proposta incluía o afastamento do PP de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o que não se concretizou.
Investigações recentes
Na nova fase da Compliance Zero, a PF investiga se Ciro Nogueira recebeu quantias operacionalizadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Há suspeitas de que o senador recebia mesada de R$ 300 mil, que poderia chegar a R$ 500 mil.
Além disso, Ciro Nogueira está envolvido em outro caso: o transporte de cinco malas que não passaram pelo raio-x ao chegar ao Brasil, em um voo do empresário Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online. O senador defendeu o empresário na CPI das Bets e viajou no jato particular dele para Mônaco. Segundo a revista piauí, houve triangulação de recursos: o ex-assessor de Ciro recebeu R$ 625 mil de Fernandin, e repassou R$ 35 mil ao senador, que justificou como reembolso de hotel.



