MP-PR denuncia hóspede por tentativa de feminicídio após agressão a recepcionista em hotel de Curitiba
MP denuncia hóspede por tentativa de feminicídio em hotel de Curitiba

MP-PR denuncia hóspede por tentativa de feminicídio após violenta agressão a recepcionista em hotel de Curitiba

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia formal, nesta segunda-feira (16), contra Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, por tentativa de feminicídio, tentativa de estupro e fraude processual. O caso refere-se ao violento ataque sofrido pela recepcionista Maria Niuzete Batista em um hotel da capital paranaense no dia 7 de março deste ano.

Segundo a denúncia do MP-PR, o crime ocorreu após a vítima recusar um beijo e um convite para ir ao quarto feito por Jhonathan. As agressões se desenrolaram dentro das dependências do estabelecimento hoteleiro, com a funcionária sendo encurralada no banheiro durante a madrugada. As imagens de câmeras de segurança registraram todo o episódio violento.

Divergência entre MP e Polícia Civil na tipificação penal

A denúncia do Ministério Público se contrapõe diretamente à conclusão da Polícia Civil do Paraná (PC-PR), que havia encerrado o inquérito em 10 de março descartando o crime de tentativa de feminicídio – inicialmente solicitado pela defesa de Maria. Na ocasião, a corporação policial classificou o caso como tentativa de homicídio com qualificadoras de motivo fútil e emboscada.

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Em nota oficial, a Polícia Civil explicou que a autuação inicial por tentativa de homicídio qualificado foi baseada nas informações preliminares disponíveis no momento. "A tipificação penal foi reavaliada pelo MP no curso do processo, a partir de novas informações e demais elementos colhidos ao longo da apuração, seguindo o devido processo legal", afirmou a instituição.

Detalhes graves da acusação do Ministério Público

A denúncia do MP-PR apresenta três acusações principais contra Jhonathan Reynaldo dos Santos:

  1. Tentativa de feminicídio: O MP afirma que o denunciado agrediu violentamente a vítima após a recusa ao beijo e ao convite para ir ao quarto. A acusação aponta emprego de meio cruel e dificuldade de defesa da vítima durante o ataque.
  2. Tentativa de estupro: Durante as agressões, conforme a denúncia, o homem teria tentado constranger Maria a manter relação sexual ou praticar ato libidinoso mediante violência. A vítima sofreu lesões graves que colocaram sua vida em risco.
  3. Fraude processual: Após o crime, o denunciado teria retirado da tomada o computador que armazenava as imagens das câmeras de segurança da recepção do hotel, com o objetivo claro de prejudicar a apuração dos fatos.

Relembre a sequência do crime violento

A investigação revelou que Jhonathan, pintor de profissão que estava em Curitiba a trabalho, passou parte da noite circulando pelo hotel e consumindo bebida alcoólica. Após ser orientado pela recepcionista a não consumir álcool na recepção, ele subiu para seu quarto, mas retornou pouco tempo depois.

O homem alegou estar passando mal e pediu que Maria o acompanhasse até o quarto, pedido que foi recusado pela funcionária por não poder deixar a recepção. Em seguida, Jhonathan foi até o balcão e declarou estar interessado nela, solicitando um beijo que também foi recusado pela vítima, que informou estar comprometida.

Após essa abordagem, quando Maria foi até o banheiro dos funcionários, imagens de segurança mostram o momento em que o homem pula o balcão da recepção e vai atrás dela. Ao abrir a porta para sair do banheiro, a recepcionista encontrou Jhonathan do lado de fora.

Segundo o relato da vítima e as investigações, ele tentou agarrá-la e, após ela reagir, iniciou uma violenta agressão com socos e chutes. Maria afirmou que foi derrubada no chão e estrangulada durante o ataque, perdendo a consciência por alguns segundos. "Eu só sobrevivi porque eu lutei muito pela minha vida", declarou a recepcionista em depoimento.

Quando recobrou os sentidos, Maria conseguiu correr até a saída do hotel e pedir ajuda, sendo socorrida por hóspedes e vizinhos que acionaram a polícia. Na audiência de custódia, Jhonathan afirmou que estava sob efeito de drogas e bebida alcoólica no momento do crime.

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Posicionamento da defesa da vítima e situação processual

O advogado da vítima, Jackson Bahls, manifestou confiança com a denúncia apresentada pelo Ministério Público. "A denúncia é, sem dúvidas, uma vitória para as mulheres. Estamos confiantes que, com a denúncia recebida, esse homem será processado, levado ao julgamento do júri onde será condenado", afirmou o defensor.

Jhonathan Reynaldo dos Santos encontra-se preso preventivamente desde o dia do crime. O g1 procurou a defesa do acusado para comentar a denúncia do MP-PR, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A Justiça poderá aceitar ou não os crimes imputados pelo Ministério Público no decorrer do processo legal.