Miss Altônia assassinada em 2018: mandante e dois réus vão a júri popular no Paraná
Miss Altônia assassinada: mandante e réus vão a júri no PR

Miss Altônia assassinada em 2018: mandante e dois réus vão a júri popular no Paraná

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) determinou que Armando Diego Salvadego irá a júri popular, acusado de ser o mandante do duplo homicídio que vitimou a Miss Altônia Bruna Zucco Segatin, de 21 anos, e Valdir de Brito Feitosa, de 30 anos. O crime chocou a cidade de Altônia, no noroeste do estado, em março de 2018, e as investigações se estenderam por sete anos até a recente decisão judicial.

Os acusados e as acusações

Além de Armando, também são réus no processo Marcos Rodrigues Fernandes e Paulo Roberto Kuntz. Os três enfrentam acusação de duplo homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e tentativa de assegurar a impunidade de outro crime. A sentença, publicada em 11 de setembro de 2025, descreve Armando como o mandante do crime, que estaria inserido em uma disputa territorial ligada a atividades ilícitas, como tráfico de drogas e contrabando de cigarros.

Segundo o documento judicial, "o crime teria sido praticado como forma de afirmação de domínio e eliminação de desafeto". Paulo é apontado como o executor material dos assassinatos, enquanto Marcos teria atuado como intermediário entre ele e Armando. Testemunhas protegidas relataram que Paulo confessou a prática dos homicídios, detalhando a dinâmica dos fatos, a motivação da disputa territorial e o posterior incêndio do veículo onde os corpos foram encontrados.

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Relembrando o caso

Bruna Zucco, eleita Miss Altônia em 2017, foi vista pela última vez na madrugada de 22 de março de 2018, após sair da faculdade. Na manhã seguinte, dois corpos carbonizados foram descobertos dentro de uma picape em uma estrada rural do município. As vítimas foram identificadas como Bruna e Valdir Feitosa, este último suspeito de envolvimento com contrabando.

O delegado Reginaldo Caetano, que liderou as investigações, afirmou que Bruna não tinha nenhum envolvimento com os crimes, tendo sido executada apenas por estar na companhia de Valdir, para que não pudesse testemunhar contra os assassinos. A polícia trabalhou com a hipótese de que o crime foi motivado por uma disputa entre grupos criminosos atuantes na região.

Prisões e andamento processual

Armando foi preso em 7 de junho de 2025, sendo encontrado em um apartamento com porta blindada. As prisões preventivas dele, Marcos e Paulo foram mantidas pela Justiça, embora a data do julgamento ainda não tenha sido estabelecida. Em contrapartida, dois outros réus, Edelclei Rodrigues da Fonseca e Eliezer Lopes de Almeida, foram impronunciados, com o juiz considerando as provas insuficientes para levá-los a júri popular. Eles receberam alvarás de soltura e não estão mais presos.

Posicionamento das defesas

Os advogados dos acusados se manifestaram sobre a decisão. O defensor de Eliezer, Jackson Bahls, declarou que aguarda a absolvição de todos os suspeitos, afirmando que os três réus restantes também merecerão absolvição. Já a defesa de Edelclei considerou o impronunciamento "absolutamente acurado e necessário", destacando a falta de provas materiais contra seu cliente.

A defesa de Marcos informou que ainda não tomou ciência da decisão e não irá se manifestar no momento. Tentativas de contato com os advogados de Armando e Paulo não obtiveram retorno até o fechamento desta reportagem.

Dificuldades na investigação

A polícia destacou que a investigação, que durou sete anos, enfrentou obstáculos significativos devido à destruição de indícios importantes pelo incêndio do veículo onde os corpos estavam. Moradores de Altônia relataram um clima de tensão na cidade após os crimes, esperando por uma solução rápida que só agora começa a se concretizar com a decisão do TJ-PR.

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