Médico é detido de forma violenta em UPA de Novo Hamburgo após confusão
Um episódio de tensão e violência chocou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (26). Enquanto dezenas de pacientes aguardavam atendimento, uma confusão resultou na detenção violenta de um médico por agentes da Guarda Municipal. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o profissional é algemado e contido no chão, sob protestos de funcionários e pacientes.
Confusão começa com reclamações de demora
Conforme testemunhas, o caso ocorreu por volta das 21h30, após reclamações sobre a demora no atendimento. Um dos funcionários da unidade de saúde teria pedido ajuda a um guarda municipal que fazia a segurança da UPA e que estava jantando, mas ele teria se negado a retornar ao posto de trabalho. Na sequência, o médico detido teria ido falar com o agente, e ambos discutiram. O guarda alegou desacato e, segundo a polícia, prendeu o médico, sob protestos dos presentes.
Outros dois agentes também chegaram à UPA. Nas imagens, é possível ouvir pessoas pedindo que os guardas soltem o médico, que foi contido no chão. O vídeo chega a mostrar um dos agentes sentado sobre as costas do homem, que pede para ser solto, dizendo: "Para, velho, está me machucando." O médico foi encaminhado à delegacia, onde foi ouvido e liberado. A Polícia Civil investiga o caso, com o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach anunciando a abertura de um "termo circunstanciado para instruir os procedimentos de lesão corporal e desacato".
Entidades médicas repudiam ação e pedem apuração
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) classificou o episódio como "inaceitável episódio de violência", afirmando que "o médico no pleno exercício da profissão foi brutalmente algemado e conduzido à Delegacia por agentes da Guarda Municipal que agiram com claro abuso de autoridade". O conselho pede apuração rigorosa e já apresentou representação ao Ministério Público do Estado.
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) também se manifestou, considerando a ação desproporcional. "Vídeos e testemunhas mostram o momento da prisão, quando o profissional foi colocado no chão e algemado de forma brusca por dois guardas. Um terceiro homem estava presente na detenção, provocando revolta entre os presentes e demonstrando um claro abuso de poder", disse o sindicato, que vai pedir esclarecimentos e cobrar uma apuração imparcial. "A própria população sofreu com a conduta, aumentando a tensão na Unidade de Pronto Atendimento", acrescentou.
Autoridades prometem investigar o caso
Em nota, a Prefeitura de Novo Hamburgo afirmou que "a Guarda Municipal está analisando as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos seus agentes para apurar os fatos". As secretarias municipais da Saúde e Segurança Pública e a Fundação de Saúde Pública (FSNH) devem se reunir para discutir o caso.
A FSNH emitiu uma nota manifestando solidariedade ao profissional e ressaltando "a importância da preservação da dignidade e das prerrogativas inerentes ao exercício da atividade médica". A instituição reafirmou seu compromisso com a transparência e legalidade, informando que aguarda a apuração completa dos fatos pelas autoridades competentes.
O Cremers, em sua manifestação, destacou ainda que "o sucateamento das unidades de pronto atendimento, a superlotação e a falta de segurança e de infraestrutura não podem, sob hipótese nenhuma, ter sua responsabilidade transferida para as costas de quem está na linha de frente". O conselho exige uma apuração rigorosa, célere e transparente dos excessos cometidos, garantindo a segurança e dignidade do médico como requisito fundamental para assegurar o direito à saúde da população.



