MC Poze é detido pela Polícia Federal em operação que mira lavagem de dinheiro com criptomoedas
O cantor MC Poze do Rodo foi preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Narcofluxo, que tem como objetivo desarticular uma associação criminosa especializada na movimentação ilícita de valores, incluindo a utilização de criptoativos tanto no Brasil quanto no exterior. Os agentes federais executaram o mandado de prisão no início da manhã, chegando à residência do artista localizada em um condomínio de luxo no bairro do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Local da prisão foi palco de assalto recente
Curiosamente, o mesmo endereço onde MC Poze foi preso foi cenário, no mês passado, de um assalto do qual o cantor foi vítima. A operação policial desta quarta-feira marca mais um capítulo na trajetória judicial do artista, que já enfrentou problemas com a lei anteriormente.
Histórico de prisões e investigações anteriores
No ano passado, MC Poze já havia sido detido pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, sob acusações de apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. Naquela ocasião, as investigações também apontavam para suspeitas de lavagem de dinheiro em benefício do Comando Vermelho (CV).
De acordo com a DRE, o cantor realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pela facção criminosa, onde a presença ostensiva de traficantes armados com fuzis garantia a segurança do artista e dos eventos. O repertório musical de Poze, segundo a polícia, fazia clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo, além de incitar confrontos armados entre facções rivais, o que frequentemente resultava em vítimas inocentes.
Estratégia criminosa por trás dos shows
A polícia especializada afirma que os shows de MC Poze eram estrategicamente utilizados pela facção para aumentar os lucros com a venda de entorpecentes, revertendo os recursos para a aquisição de mais drogas, armas de fogo e outros equipamentos necessários à prática de crimes. A Polícia Civil reforçou que as letras das músicas extrapolam os limites constitucionais da liberdade de expressão e artística, configurando crimes graves de apologia ao crime e associação para o tráfico de drogas.
As investigações continuam em andamento para identificar outros envolvidos e os financiadores diretos dos eventos criminosos. A prisão anterior ocorreu em 29 de maio do ano passado, e em 3 de junho, o cantor foi solto após a Justiça conceder um habeas corpus.
A Operação Narcofluxo representa um esforço contínuo das autoridades para combater o crime organizado, especialmente em suas ramificações financeiras que envolvem tecnologias modernas como as criptomoedas. A prisão de MC Poze destaca a intersecção entre o entretenimento e atividades criminosas, levantando questões sobre a responsabilidade artística e os limites da liberdade de expressão.



