Justiça determina soltura de delegada e marido presos por uso indevido de viatura oficial em Minas Gerais
A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, Wanessa Santana Martins Vieira, de 38 anos, e seu marido, o advogado Renan Rachid Silva Vieira, também de 38 anos, foram presos nesta semana sob suspeita de peculato, após o uso irregular de uma viatura descaracterizada da corporação. No entanto, em decisão judicial, ambos receberam liberdade provisória após audiência de custódia realizada na quarta-feira (11).
Detalhes da operação e prisão do casal
O caso teve início com denúncias anônimas encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil e à Ouvidoria do estado em fevereiro, que apontavam o uso de um veículo oficial para fins particulares. Durante uma blitz montada pela Corregedoria na Avenida Antônio Carlos, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, o advogado Renan Rachid foi flagrado dirigindo a viatura enquanto se deslocava para o trabalho.
Os agentes identificaram o carro com características semelhantes às das denúncias e, ao verificar que o motorista não tinha vínculo com a Polícia Civil, realizaram a condução do advogado e apreenderam o veículo. Simultaneamente, outra equipe foi até a residência da delegada Wanessa Santana, que foi informada sobre o ocorrido e levada para prestar esclarecimentos na sede da unidade policial, onde sua prisão em flagrante foi ratificada.
Investigações e histórico do advogado envolvido
De acordo com fontes policiais, Renan Rachid já era investigado em outros casos, incluindo suspeitas de estelionato, agiotagem e ameaça. Entre as denúncias estão a falsificação de cheque, a venda de um imóvel que já estaria penhorado e ameaças contra vítimas em disputas comerciais. A viatura utilizada pelo advogado estava sob responsabilidade da delegada Wanessa, lotada em uma delegacia de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o que levantou questões sobre possível autorização para o uso indevido do bem público.
O crime de peculato ocorre quando um servidor público se apropria ou permite o uso indevido de um bem público, conforme definido na legislação brasileira. Após a abordagem, o veículo foi apreendido e encaminhado para perícia técnica na Diretoria de Transportes da Polícia Civil, com o objetivo de verificar suas condições e coletar evidências para a investigação.
Decisão judicial e próximos passos do caso
Durante a audiência de custódia, a juíza responsável pelo caso concedeu liberdade provisória ao casal, determinando o pagamento de fiança no valor de R$ 5.673,50 para cada um. Após o pagamento, eles poderão responder às investigações em liberdade, embora, até a última atualização, não houvesse confirmação sobre sua saída da prisão.
As investigações continuam sob responsabilidade da Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais, com foco em esclarecer as circunstâncias do uso do veículo oficial e verificar a participação ou responsabilidade dos envolvidos no possível uso irregular. O caso destaca a importância da fiscalização no uso de bens públicos e os desdobramentos jurídicos em situações de suposto desvio de função.



