Justiça nega liberdade a médica acusada de mandar matar farmacêutica em Uberlândia
Justiça nega liberdade a médica acusada de homicídio em Uberlândia

Justiça mantém prisão de médica e vizinho acusados de homicídio qualificado em Uberlândia

A 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia negou o pedido de liberdade da médica Claudia Soares Alves, de 42 anos, e do vizinho dela, Paulo Roberto Gomes da Silva, ambos acusados de envolvimento no assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, ocorrido em 2020. A decisão, publicada no domingo (1º), considerou que a soltura representaria "risco social" e manteve a prisão preventiva dos réus, que estão detidos desde novembro de 2025 no sistema prisional da cidade.

Motivação obsessiva e gravidade do crime justificam manutenção da custódia

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o crime teria sido motivado pelo desejo obsessivo de Claudia de assumir a guarda da filha de Renata, de 9 anos. A médica era casada com o ex-marido da vítima, mas o relacionamento durou apenas dois meses, rompido após o homem perceber seu comportamento compulsivo. O juiz Dimas Borges de Paula destacou a alta periculosidade dos acusados, a gravidade do homicídio qualificado – considerado hediondo – e a necessidade de garantir a ordem pública e o andamento processual como razões para negar a liberdade.

O magistrado também apontou a falta de comprovação de residência fixa e ocupação lícita por parte das defesas, fatores que aumentam o risco de fuga. A primeira audiência de instrução está marcada para 13 de março de 2026, no Fórum de Uberlândia, onde testemunhas e os réus serão ouvidos. O processo segue dentro do prazo de 178 dias estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para casos do Tribunal do Júri.

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Histórico criminal e detalhes do assassinato reforçam acusações

Claudia Soares Alves, neurologista e ex-professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), já responde por outro crime: o sequestro de uma recém-nascida da maternidade do Hospital de Clínicas da UFU em 2024, episódio no qual usou documentos falsos para tentar registrar a bebê como filha. Investigadores relatam que ela demonstrava desejo compulsivo de ser mãe de uma menina, mantendo em casa um quarto pintado de rosa com berço e uma boneca reborn.

O assassinato de Renata ocorreu na manhã de 7 de novembro de 2020, quando a farmacêutica chegava ao trabalho em Uberlândia. Câmeras de segurança registraram o criminoso – identificado como Paulo Roberto – abordando-a e efetuando pelo menos cinco disparos. Testemunhas relataram que a vítima tentou se defender, mas foi morta a tiros. Paulo Roberto também responde por adulteração de sinal identificador de veículo relacionada ao crime.

Recursos e situação atual dos réus

A defesa de Claudia, representada pelo advogado Vladimir Alves de Rezende, aguarda julgamento de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), após recurso de decisão negativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em janeiro. A advogada de Paulo Roberto, Consuelo Pupulin Rocha, não atendeu a ligações da reportagem. Atualmente, Claudia está presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, e Paulo Roberto no Presídio Professor Jacy de Assis, ambos em Uberlândia.

A Polícia Civil apurou que Claudia forneceu apoio logístico para o homicídio, destruiu provas e adulterou documentos para criar um álibi, incluindo a falsificação de um prontuário médico. O delegado Eduardo Leal afirmou que a médica é "capaz de tudo" para atingir seus objetivos, evidenciando um perfil de risco que justifica a manutenção da prisão preventiva conforme a decisão judicial.

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