Justiça nega indenização a casal após 'chá revelação de traição' que viralizou no RS
Justiça nega indenização após 'chá revelação de traição' no RS

Justiça do RS nega indenizações após polêmico 'chá revelação de traição' que viralizou nas redes

A Vara Judicial da Comarca de Ibirubá, no Norte do Rio Grande do Sul, decidiu rejeitar todos os pedidos de indenização por danos morais envolvendo o caso do "chá revelação de traição" que ganhou ampla repercussão nas redes sociais. O agricultor Rafael Eduardo Schemmer havia processado a ex-companheira, Natália Knak, e a tia dela, Marlise, solicitando R$ 100 mil como compensação por suposta violação à honra, imagem e vida privada, além da retirada do vídeo da internet.

Decisão judicial reconhece responsabilidade, mas não configura ilicitude

O Juiz de Direito João Gilberto Engelmann, em sua sentença, reconheceu que as rés foram responsáveis pela captação e compartilhamento inicial do vídeo, afirmando que "não há viralização sem captura e compartilhamento primitivo". Contudo, o magistrado destacou que a responsabilização civil exige a presença de ato ilícito, dano e nexo causal, elementos que considerou ausentes no caso específico.

Engelmann foi enfático ao criticar a tentativa de "instrumentalizar o Poder Judiciário para silenciar a voz de uma mulher que reage a uma situação como a presente no caso concreto", caracterizando essa ação como uma forma de revitimização institucional. A decisão também julgou improcedentes os pedidos de reconvenção apresentados por Natália, que pleiteava R$ 150 mil por sofrimento decorrente das traições e risco à saúde, e por Marlise, que requeria R$ 10 mil por inclusão indevida no processo.

Contexto do caso que viralizou em cidade do interior gaúcho

O episódio ocorreu em Quinze de Novembro, município com aproximadamente 3,9 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, onde Natália Knak reuniu familiares na casa dos pais de Rafael para realizar o polêmico evento. Durante a gravação, que contou com cerca de 30 pessoas presentes, a mulher revelou múltiplas traições do companheiro, apresentando um dossiê com mensagens e fotografias que comprovariam a infidelidade.

No vídeo que posteriormente viralizou, Natália aparece com uma caixa decorada com fitas rosa e azul, inicialmente sugerindo uma possível gravidez, para então questionar: "Qual que é realmente teu filho legítimo? E qual que é teu filho com a tua amante?". Ela então expôs detalhes da suposta vida dupla do companheiro, afirmando: "Eu não descobri só uma traição. Eu descobri várias".

Reações das partes envolvidas e possibilidade de recurso

A defesa de Natália e Marlise manifestou "indignação" com a parte da decisão que negou qualquer reconhecimento indenizatório à ex-companheira, argumentando que "uma mulher grávida, traída de forma sistemática e reiterada, com riscos reais à sua saúde e à do bebê, ficou sem nenhuma reparação civil pelo sofrimento que lhe foi imposto". Em nota, os advogados afirmaram que a conclusão judicial "não faz justiça à dimensão real do que Natália viveu".

Por outro lado, o advogado José Luiz Dorsdt, representante de Rafael, havia anteriormente defendido que seu cliente tinha "o direito de ser julgado por um juiz, não pela opinião pública", alegando que a situação ganhou proporção exagerada nas redes sociais. Ele argumentou que "discordâncias conjugais acontecem em todos os lugares" e que a exposição online apenas multiplica os problemas.

O magistrado reconheceu em sua decisão que Rafael admitiu as traições em conversa particular com Natália seis dias antes do vídeo, incluindo a informação de que teria um filho com outra mulher durante a união estável. A sentença apontou que, ao invés de sofrer abalos morais, o agricultor foi "socialmente enaltecido", ganhando fama e participando de eventos após a viralização.

Cabe recurso da decisão, e as partes envolvidas analisam os próximos passos jurídicos. A defesa das mulheres destacou que qualquer decisão sobre recorrer será tomada pensando na paz e justiça para Natália e seu filho Theo, que recentemente nasceu, enfatizando que a saúde do bebê permanece como prioridade absoluta neste momento delicado.