Julgamento da maior chacina do DF entra em quarto dia com interrogatórios cruciais
Julgamento da maior chacina do DF entra em quarto dia

Julgamento da maior chacina do Distrito Federal avança com depoimentos divergentes

O julgamento dos cinco réus acusados de planejar e executar a maior chacina da história do Distrito Federal alcança seu quarto dia nesta quinta-feira (16). A sessão será retomada às 9h, com o interrogatório dos réus Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva.

Essa etapa pode se estender por horas, dependendo da disposição dos réus em responder às perguntas da defesa, da acusação, do juiz e do júri. Quando os interrogatórios forem concluídos, inicia-se a fase de debates, momento em que acusação e defesa tentam convencer os jurados, com direito a réplica e tréplica. É provável que essa etapa só ocorra na sexta-feira (17).

Depoimentos dos primeiros réus revelam versões contraditórias

O julgamento começou na segunda-feira (13), com os dois primeiros dias dedicados aos depoimentos de testemunhas. Na quarta-feira (15), foram interrogados três dos cinco réus: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Fabrício Silva Canhedo.

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Os três depoimentos apresentaram narrativas radicalmente diferentes. Gideon Menezes afirmou ao júri que também é uma vítima, alegando que estava amarrado nos primeiros dias dos crimes e foi coagido a participar. Horácio Barbosa recorreu ao direito constitucional de permanecer em silêncio para não produzir prova contra si mesmo.

Em nota divulgada à imprensa, a defesa de Horácio reconheceu que os crimes foram cometidos, mas argumentou que o Ministério Público não conseguiu comprovar a autoria das mortes. Já Fabrício Canhedo confessou ter participado dos crimes, implicou os outros réus e disse que agiu por necessidade de dinheiro para a cirurgia do filho. Durante o interrogatório, ele chorou e pediu perdão aos familiares das vítimas.

Cronologia detalhada do crime conforme a denúncia

A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe". Segundo o Ministério Público do Distrito Federal, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas.

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  1. Outubro de 2022: Gideon, Horácio, Fabrício, Carlomam e um adolescente se associam para cometer crimes.
  2. 27 de dezembro de 2022: Gideon, Horácio e Carlomam, com um adolescente, rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sua esposa Renata Juliene Belchior e a filha Gabriela Belchior em uma chácara. Cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina, onde Marcos é morto e esquartejado.
  3. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. Fabrício assume a vigilância. Os criminosos usam os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com familiares para não levantar suspeitas.
  4. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha Ana Beatriz são rendidas no Lago Norte, têm bens roubados e são levadas ao mesmo cativeiro, onde sofrem ameaças e têm senhas bancárias exigidas.
  5. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído à chácara Quilombo por mensagens dos criminosos. É sequestrado com ajuda de Carlos Henrique e levado ao cativeiro.
  6. 12 e 13 de janeiro: Usando o celular de Thiago, os criminosos convencem Elizamar a ir à chácara com os três filhos do casal: Rafael, Rafaela e Gabriel, todos de 6 e 7 anos. Ao chegar, são rendidos e levados a uma rodovia em Cristalina (GO), onde Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, com Carlomam acompanhando. O carro com os corpos é incendiado.
  7. 14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, em cativeiro desde o início, são levadas a uma rodovia em Unaí (MG), mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, com Carlomam presente, e têm os corpos queimados em um veículo. Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano.
  8. 15 de janeiro: Sob ordens de Gideon, Horácio e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago a uma cisterna em Planaltina, onde são assassinados a golpes de faca. Os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal.
  9. 16 de janeiro: Parte do grupo tenta destruir provas, queimando objetos do cativeiro e alterando o local para dificultar a perícia.

Crimes apontados na denúncia e possíveis penas

A Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina listou os seguintes crimes na denúncia:

  • Homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão.
  • Extorsão: quatro a 10 anos de prisão.
  • Roubo: quatro a 10 anos de prisão.
  • Sequestro: de dois a oito anos de prisão.
  • Constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão.
  • Fraude processual: de três meses a dois anos de prisão.
  • Corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão.
  • Ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão.

O julgamento continua sob forte expectativa, com a justiça buscando esclarecer todos os detalhes desse caso que chocou o Distrito Federal.