Jovem com autismo sofre fratura grave após suposto empurrão de professor em escola municipal
Um caso de violência escolar envolvendo um jovem com autismo está sendo investigado em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Davi Elias Júnior, de 21 anos, diagnosticado com autismo de nível três de suporte, sofreu uma fratura no colo do fêmur após, segundo relato da família, ser empurrado por um professor dentro da Escola Municipal Renata Azevedo.
Cirurgia de emergência e quadro delicado no pós-operatório
O jovem passou por cirurgia na tarde de terça-feira (17) no Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama. O procedimento, que terminou por volta das 20h30, ocorreu sem intercorrências, mas apresentava riscos adicionais devido ao fato de Davi ser uma pessoa convulsiva. No entanto, o quadro no pós-operatório continua exigindo cuidados intensivos.
Segundo a mãe, Cristina da Conceição, Davi apresenta dores intensas e, na manhã de quarta-feira (18), acordou gritando, necessitando do uso de morfina para controle da dor. Ele permanece internado em observação, sem previsão de alta hospitalar.
Família registra boletim de ocorrência e polícia inicia investigações
O pai do jovem esteve na Delegacia de Polícia Civil de Cabo Frio nesta quarta-feira (18) para registrar um boletim de ocorrência. A Polícia Civil informou, em nota oficial, que o caso está sendo investigado e que diligências estão em andamento para apurar todas as circunstâncias do incidente.
Conforme o relato detalhado da mãe, o episódio ocorreu na última quarta-feira (11), quando Davi resistia a sair da unidade escolar. Após o suposto empurrão, ele caiu e sofreu a fratura. A situação teria sido presenciada por pelo menos quatro funcionários da escola, segundo informações da família.
Descoberta tardia da gravidade e versões conflitantes
A mãe afirma que só percebeu a gravidade da situação quando Davi chegou em casa, em São Pedro da Aldeia, após cerca de 40 minutos no transporte escolar, sem conseguir descer sozinho do veículo. Inicialmente, a informação na agenda do aluno indicava que ele teria sofrido uma queda sozinho.
Posteriormente, segundo ela, a escola informou que o professor teria empurrado o jovem. Diante da denúncia, o profissional foi imediatamente afastado das funções, e uma sindicância foi instaurada para apurar minuciosamente a conduta do educador.
Secretaria de Educação toma medidas administrativas
A Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio emitiu uma nota oficial informando que acompanha com rigor o caso envolvendo o aluno Davi. Todas as medidas cabíveis no âmbito da Administração Pública Municipal foram adotadas de forma imediata, assim que a situação chegou ao conhecimento da gestão.
O afastamento do servidor em questão foi formalizado através da Portaria nº 041/2026, publicada na edição nº 055 do Diário Oficial do Município, enquanto as investigações seguem no âmbito legal. O processo administrativo instaurado para apuração detalhada dos fatos, na modalidade sindicância, permanece em andamento, com a devida instrução processual, incluindo coleta de informações e oitiva dos envolvidos.
A Secretaria reafirmou seu compromisso com a transparência e declarou que segue colaborando integralmente com as autoridades competentes para a completa apuração dos fatos. O caso levanta questões importantes sobre o tratamento de alunos com necessidades especiais nas escolas públicas e a formação adequada de profissionais para lidar com situações desafiadoras no ambiente educacional.



