Polícia conclui inquérito de agressão a recepcionista em hotel de Curitiba
Inquérito de agressão a recepcionista em hotel é concluído

Polícia Civil conclui inquérito sobre agressão a recepcionista em hotel de Curitiba

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) finalizou nesta terça-feira (10) o inquérito referente ao caso da recepcionista Maria Niuzete Batista, que foi agredida por um hóspede em um hotel de Curitiba. As investigações descartaram a possibilidade de tentativa de feminicídio, conforme solicitado pela defesa da vítima, e o processo foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) e ao Poder Judiciário como tentativa de homicídio, com as qualificadoras de motivo fútil e emboscada.

Detalhes do crime e posicionamento da defesa

O crime ocorreu no dia 7 de março e foi registrado por câmeras de segurança do estabelecimento. O advogado da vítima, Jackson Bahls, manifestou discordância em relação à ausência da qualificadora de tentativa de feminicídio no inquérito. Ele expressou esperança de que o Ministério Público altere a tipificação antes de oferecer denúncia, argumentando que o caso deveria ser tratado como feminicídio na modalidade tentada, com agravante pelo recurso que dificultou a defesa da vítima.

"Nós confiamos que, nos próximos dias, a denúncia virá como um feminicídio na modalidade tentada, com uma causa de aumento, essa do recurso que dificultou a defesa da vítima pela emboscada", afirmou Bahls.

Resposta da Polícia Civil e relato da vítima

Questionada sobre a ausência da qualificadora de feminicídio, a Polícia Civil explicou que a tipificação inicial de tentativa de homicídio qualificado foi definida com base nos elementos disponíveis no momento do flagrante. A corporação ressaltou que a Justiça será responsável por determinar os próximos passos. A delegada responsável pelo caso não estava disponível para conceder entrevista.

O indiciado é Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, pintor que estava em Curitiba a trabalho. Ele está preso preventivamente. Seu advogado informou, em nota, que ainda não teve acesso ao inquérito e, portanto, não se pronunciará sobre o assunto.

Relato emocionado da recepcionista agredida

Maria Niuzete Batista prestou depoimento à polícia na segunda-feira (9), relatando os momentos de terror vividos durante a agressão. "Eu só sobrevivi porque eu lutei muito pela minha vida. Esse cara é um monstro. Eu tenho medo, eu quero justiça", declarou, visivelmente abalada.

Segundo seu relato, o hóspede passou parte da noite circulando pelo hotel e consumindo bebidas alcoólicas. Após ser solicitado a não beber na recepção, ele subiu ao quarto, mas retornou pouco depois, alegando mal-estar e pedindo que ela o acompanhasse. Ao recusar, ele se aproximou e fez comentários inapropriados sobre sua aparência, solicitando um beijo.

Agressão física e perda de consciência

Após a abordagem, Maria se refugiou no banheiro dos funcionários. Imagens de segurança mostram o homem pulando o balcão da recepção e indo em sua direção. Quando ela abriu a porta para sair, ele estava do lado de fora e iniciou as agressões.

"Ele tentou me agarrar. Eu empurrei ele e aí já veio as agressões. Ele começou a me socar, me deu um chute na barriga, eu caí no chão, começou me dar muito soco. Eu dizia: 'Moço, por favor, porque você está fazendo isso'. Ele não falava nada... Ele começou me enforcar", descreveu a vítima.

As agressões foram tão violentas que Maria perdeu a consciência por alguns segundos. Ao recuperar os sentidos, conseguiu correr até a saída do hotel, onde foi socorrida por hóspedes e vizinhos, que acionaram a polícia.

Declaração do agressor na audiência de custódia

Na audiência de custódia, Jhonathan Reynaldo dos Santos afirmou que estava sob efeito de drogas e bebidas alcoólicas no momento do ocorrido. "Ela falou algumas coisas que eu não gostei e pelo fato de eu estar em certo ponto alcoolizado... Quando eu tive noção já tinha batido nela, mas em momento algum tive a intenção de matar ela", declarou o acusado.

O caso segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia a ser oferecida, enquanto a vítima aguarda por justiça e a conclusão do processo judicial.