Homem é denunciado por tentativa de feminicídio e estupro após atacar recepcionista em hotel de Curitiba
O Ministério Público do Paraná apresentou denúncia formal contra Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, preso desde 7 de março por suspeita de espancar e tentar estuprar uma recepcionista de hotel no bairro Bigorrilho, em Curitiba. A promotoria encaminhou ao Tribunal de Justiça do Paraná a acusação por três crimes: feminicídio majorado na forma tentada, estupro qualificado na forma tentada e fraude processual qualificada.
Entenda as acusações do Ministério Público
Segundo a denúncia, Jhonathan tentou matar Maria Niuzete Batista, de 55 anos, em razão do gênero dela. O ataque ocorreu após a vítima recusar convite para ir ao quarto do acusado e negar um beijo solicitado por ele. O MP detalha que o homem agrediu violentamente a recepcionista com meio cruel, de forma prolongada e utilizando recurso que dificultou sua defesa, uma vez que ela foi encurralada em banheiro exclusivo para funcionários durante a madrugada em seu local de trabalho.
Em relação à acusação de estupro qualificado na forma tentada, o Ministério Público afirma que o suspeito quis abusar sexualmente da vítima. A denúncia enviada à Justiça aponta que, durante as agressões, Jhonathan "agiu com a intenção de satisfazer sua lascívia, tentando constranger a vítima à conjunção carnal ou ato libidinoso mediante violência". O crime resultou em lesões corporais de natureza grave que colocaram em perigo a vida da ofendida.
Fraude processual e pedido de indenização
Jhonathan também responde por fraude processual qualificada. Após os fatos, o acusado teria retirado da tomada o computador que registrava as imagens das câmeras de segurança da recepção do hotel com o intuito de prejudicar a apuração das provas. O Ministério Público ainda solicitou que o suspeito pague indenização mínima de R$ 100 mil, valor destinado à reparação de danos morais e materiais à Maria Niuzete.
Relembre o caso ocorrido em março
No dia do ocorrido, Maria Niuzete estava em seu posto de trabalho quando Jhonathan se aproximou e pediu para beijá-la na boca. Após a recusa, ele pulou o balcão da recepção para agredir a mulher. Imagens do circuito interno de segurança registraram o momento em que a recepcionista corre e o homem vai atrás dela. A mulher entrou em um banheiro exclusivo para funcionários, fechou a porta, mas o homem conseguiu abrir e entrar.
Lá dentro, a vítima teria sido agredida com diversos golpes. Alguns minutos depois, o agressor sai do banheiro e volta para a recepção. Nesse momento, Maria Niuzete tenta correr para outra área do hotel, mas o homem volta a persegui-la e ela é golpeada na cabeça. Ela cai e ele continua a espancá-la. A vítima sofreu diversos machucados e uma fratura no braço.
Em entrevista ao UOL News, Maria Niuzete declarou: "Eu estou viva porque eu lutei muito pela minha vida. Só eu sei o que eu passei dentro daquele banheiro. Sozinha ali, me defendendo, lutando pela minha vida. Foi muito horrível, foi monstruoso". Ela relatou ainda que durante o ataque perguntou "pelo amor de Deus, moço, por que você está fazendo isso comigo?", ao que ele respondeu que "ia me matar".
Posicionamento da defesa e próximos passos
Jhonathan está preso na Cadeia Pública de Curitiba desde o dia do ocorrido. Por meio de nota, a defesa dele informou que "toda e qualquer manifestação do acusado será feita exclusivamente nos autos do processo". A reportagem entrou em contato com o Ministério Público para pedir posicionamento e aguarda retorno.
Jackson Bahls, advogado de Maria Niuzete, afirmou que a denúncia do MP paranaense é uma vitória para todas as mulheres: "A denúncia é uma vitória para as mulheres em matéria de luta contra a violência de gênero. Contrariando a autoridade policial, que inicialmente considerava o caso como um mero homicídio, conseguimos que a denúncia trouxesse três crimes: feminicídio, estupro e fraude processual. Agora a sociedade de Curitiba, no Tribunal do Júri, vai condenar esse criminoso".
Jhonathan, que é casado, é natural do Paraná, mas mora em Joinville (SC). Ele estava em Curitiba a trabalho quando cometeu os crimes. Caso o Tribunal de Justiça do Paraná aceite a denúncia, Jhonathan passa a ser considerado réu e o processo seguirá seu curso legal.



