Cinco anos após morte de empresário, polícia revela crime passional com participação da filha em Campinas
Após um longo período de investigações, a Polícia Civil de Campinas chegou a uma conclusão chocante sobre o assassinato do empresário Ricardo Luiz Nolasco Lopes, de 56 anos, ocorrido em janeiro de 2020. O caso, inicialmente registrado como latrocínio no distrito de Sousas, foi na verdade um homicídio premeditado com motivação passional, envolvendo a própria filha da vítima e seu namorado na época.
Revisão do caso revela inconsistências e nova narrativa
As investigações foram reabertas após a polícia identificar diversas inconsistências no inquérito original. Entre os elementos que chamaram a atenção dos investigadores estavam o número elevado de disparos – nove tiros – e a utilização de mais de uma arma, fatores incomuns em casos de roubo seguido de morte. Essas discrepâncias levaram a uma revisão profunda do caso, que acabou por desvendar uma trama familiar complexa.
Segundo as novas apurações, a motivação do crime teria sido a desaprovação de Ricardo em relação ao relacionamento de sua filha, Giovana Erbolato Lopes, com Ernandes dos Santos Lopes. A insatisfação paterna com o romance teria sido o estopim para o planejamento do assassinato.
Confissões e contradições na investigação
A Polícia Civil afirma que tanto Giovana quanto Ernandes confessaram sua participação no crime. De acordo com os investigadores, Ernandes forneceu detalhes específicos sobre a cena do crime que somente alguém presente poderia conhecer, incluindo a quantidade exata de disparos e os calibres das armas utilizadas.
Entretanto, o advogado Jose Pedro Said Junior, que representa Giovana, nega veementemente que sua cliente tenha confessado qualquer participação no homicídio. Em declaração, o defensor classificou o caso como uma "injustiça" e afirmou que Giovana está sendo penalizada de maneira absurda, revivendo um sofrimento que atinge toda a família.
O advogado ainda destacou que mensagens no celular de Giovana mostravam ameaças do ex-namorado, que dizia que "iria destruir a vida dela" se ela não voltasse com ele. A defesa de Ernandes não foi localizada para comentar o caso até o momento.
Reconstrução dos fatos e prisões
Os investigadores reconstruíram os eventos da noite do crime, ocorrido em 25 de janeiro de 2020. Segundo a polícia, Giovana teria levado o pai até o local do assassinato sob o pretexto de visitar uma casa em construção. Ricardo foi atingido por múltiplos disparos enquanto estava dentro do veículo conduzido pela filha.
Inicialmente, a jovem relatou à polícia que haviam sido vítimas de um assalto, no qual os criminosos teriam levado R$ 300 e uma carteira. Esta versão manteve o caso registrado como latrocínio por um período considerável.
Com as novas confissões, a polícia conseguiu encontrar registros da circulação do carro de Giovana na região horas antes do crime, corroborando a nova linha investigativa. Tanto Giovana quanto Ernandes foram indiciados por homicídio qualificado e tiveram prisão temporária decretada, posteriormente convertida em preventiva. Ambos permanecem presos aguardando julgamento.
Impacto familiar e desdobramentos judiciais
O caso revela uma tragédia familiar com ramificações profundas. Enquanto a polícia sustenta ter evidências concretas das confissões e participação dos acusados, a defesa de Giovana mantém sua inocência e alega que ela está sendo vítima de uma campanha de difamação por parte do ex-companheiro.
A Vara do Júri já decretou as prisões, mas o processo judicial ainda deve percorrer um longo caminho até uma decisão final. O crime, que completa cinco anos em 2025, continua a gerar comoção na região de Campinas e serve como um exemplo dramático de como investigações criminais podem tomar rumos inesperados com o aprofundamento das apurações.



