Polícia não identifica movimentação em contas bancárias de família desaparecida no RS
A Polícia Civil informou que não identificou qualquer movimentação nas contas bancárias das três pessoas da mesma família que estão desaparecidas em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, há mais de 40 dias. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro.
Devido à ausência total de transações financeiras por um período superior a 40 dias, as autoridades policiais praticamente descartam a possibilidade de encontrar a família com vida. Silvana, inclusive, já integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026. O delegado Anderson Spier foi enfático ao afirmar que "nenhuma pessoa ficaria mais de 40 dias fora da sua residência sem fazer movimentações financeiras para subsistir. Não condiz com a realidade".
Linha principal da investigação
A principal linha de investigação seguida pela Polícia Civil é de que se trata de um caso de feminicídio contra Silvana, duplo homicídio dos pais dela e subsequente ocultação dos cadáveres. Buscas intensivas têm sido realizadas em diferentes áreas da Região Metropolitana de Porto Alegre, com as frentes mais recentes se concentrando em áreas de mata nos municípios de Gravataí e Cachoeirinha, além de trechos do Rio Gravataí.
O único suspeito formalmente indiciado é o policial militar e ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente desde o dia 10 de fevereiro. Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém "efetiva colaboração com as autoridades" e que "irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus".
Com a prorrogação da prisão temporária de Cristiano, a polícia espera concluir o inquérito sobre o caso em um prazo de até 30 dias.
Eletrônicos apreendidos e checagem de álibi
Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de um amigo do policial militar suspeito. O homem, que não é investigado e presta depoimento apenas na condição de testemunha, foi citado por Cristiano como alguém com quem teria jantado na noite em que Silvana desapareceu. O objetivo da ação era checar o álibi apresentado.
Na residência, os agentes policiais apreenderam um celular, um pen drive, um HD externo e um videogame. Conforme explicou a polícia, o telefone foi apreendido para que seja verificada a geolocalização, mensagens de texto que possam ter sido trocadas com o suspeito e outros dados relevantes. Já o videogame foi recolhido para verificar se o dispositivo foi conectado à rede Wi-Fi da casa de Cristiano naquela noite específica.
O amigo relatou à polícia que passou a noite de 24 de janeiro na casa de Cristiano, onde também estava o filho do suspeito, e que teriam jogado videogame até a madrugada do dia 25. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) afirmou que "os laudos, assim que concluídos, sempre são entregues diretamente aos cuidados da autoridade solicitante", sem estabelecer um prazo definitivo para a devolutiva.
Na ocasião, o advogado de Cristiano manifestou surpresa com as buscas na casa desse amigo, argumentando que se trata de uma testemunha indicada pela própria defesa. Ele destacou que "bastaria solicitar a entrega do aparelho para perícia, o que seria feito com o intuito de colaborar com as investigações".
Outros elementos investigados e linha do tempo
As investigações também já conduziram a polícia a um sítio pertencente à família do policial militar e a outra propriedade dos Aguiar, além das casas dos desaparecidos e a do próprio suspeito. Paralelamente, os investigadores tentam esclarecer a identidade do proprietário de um carro vermelho que entrou na casa de Silvana no dia do desaparecimento.
Outra frente de apuração aguarda o resultado da perícia nas amostras de sangue encontradas no pátio da residência da vítima. O delegado Spier acrescentou que "a gente ainda precisa de algumas perícias com relação ao material genético, que estão pendentes".
Linha do tempo dos principais acontecimentos:
- Antes do sumiço: Em 2 de janeiro, Silvana solicita contato do Conselho Tutelar. Em 9 de janeiro, ela registra que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho.
- Fim de semana dos desaparecimentos (24-25 de janeiro): Silvana é vista pela última vez. Postagem falsa em redes sociais sobre acidente em Gramado. Movimentação atípica de veículos registrada por câmeras. Pais saem para procurá-la e também desaparecem.
- Início das investigações (27 de janeiro a 4 de fevereiro): Registros formais de desaparecimento. Encontro de projétil de festim na casa dos idosos. Polícia confirma tratar-se de crime.
- Perícias e prisão (5 a 27 de fevereiro): Coleta de vestígios de sangue. Localização do celular de Silvana. Prisão temporária de Cristiano. Recusa em fornecer senhas de aparelhos. Búsquedas em áreas de mata e rios.
A defesa de Cristiano, diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, afirmou que vai acompanhar o andamento das investigações, mantendo-se à disposição para colaborar, e analisará a possibilidade de impetrar habeas corpus.
