Falso médico que simulou própria morte enfrenta julgamento por homicídio em Sorocaba
O Tribunal do Júri de Sorocaba, no interior de São Paulo, realiza nesta quinta-feira (26) o julgamento do falso médico Fernando Henrique Dardis, acusado pela morte da paciente Helena Rodrigues em outubro de 2011. O caso, que se arrasta há mais de uma década, ganhou repercussão nacional em janeiro de 2025 quando Dardis simulou a própria morte em uma tentativa desesperada de escapar do processo penal.
Cinco testemunhas são convocadas para depoimento
Para a sessão judicial foram convocadas cinco testemunhas, sendo quatro de defesa e uma de acusação – este último é irmão da vítima Helena Rodrigues. Fernando Henrique Dardis responde formalmente por três crimes: homicídio, exercício ilegal da medicina e falsificação de documento público. O promotor Antônio Farto Neto, responsável pela acusação, solicitou que a filha da vítima, Eliana Rodrigues, também fosse ouvida, mas o pedido foi negado pelo juiz responsável pelo caso.
Fraude processual paralela investigada pela Polícia Civil
O julgamento ocorre simultaneamente a uma investigação paralela aberta pela Polícia Civil de São Paulo, a pedido do Ministério Público estadual, contra a advogada Leandra Ferreira dos Santos Bastos. Ela é suspeita de ter se apresentado como assistente de acusação sem qualquer autorização da família da vítima. Em declaração oficial ao MP, Eliana Rodrigues afirmou categoricamente que não contratou os serviços da advogada e que não reconhece a assinatura apresentada na procuração anexada ao processo.
Segundo o promotor Antônio Farto Neto, embora essa suposta fraude não tenha relação direta com o homicídio em si, ela representa uma interferência indevida no procedimento judicial. Em documento oficial, o promotor afirmou que "há no presente processo uma sucessão de fraudes", referindo-se aos múltiplos episódios de tentativas de obstrução da Justiça que marcam este caso.
Relembre os detalhes do caso que chocou o Brasil
Helena Rodrigues procurou atendimento médico em outubro de 2011 apresentando sintomas claros de infarto. Ela acreditava estar sendo atendida por um profissional qualificado quando Fernando Henrique Dardis, que se identificava como "doutor Ariosvaldo", a atendeu na Santa Casa de Sorocaba. Após a consulta, Helena recebeu diagnóstico de simples dor nas costas e uma prescrição de medicamentos para alívio da dor lombar.
No dia seguinte, após tomar a medicação prescrita pelo falso médico, Helena Rodrigues sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua residência e faleceu. A polícia descobriu posteriormente que Fernando não possuía formação médica alguma e que todo seu atendimento constituía uma farsa criminosa.
Para evitar a responsabilização penal, Dardis arquitetou um plano elaborado: em janeiro de 2025, simulou a própria morte na tentativa de fugir da Justiça. O esquema foi desmascarado pelo programa Fantástico, da TV Globo, que revelou o paradeiro do acusado. Em junho de 2025, Fernando Henrique Dardis foi preso e desde então responde aos processos criminalmente.
Segunda tentativa de julgamento após adiamento anterior
Esta é a segunda vez que o Tribunal do Júri tenta julgar o caso. Em outubro do ano passado, a sessão precisou ser adiada porque a única testemunha de acusação – o filho da vítima – apresentou atestado médico e não pôde comparecer ao fórum. Agora, mais de uma década após a morte de Helena Rodrigues, a Justiça busca finalmente concluir o processo que expõe uma rede de fraudes médicas e judiciais.
Além do caso de Helena Rodrigues, Fernando Henrique Dardis também é acusado pela morte de Therezinha Monticelli Calvim, embora esse processo ainda não tenha chegado à fase de julgamento. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) mantém investigação paralela sobre o exercício ilegal da medicina.
Defesa do acusado prepara tese de desconexão causal
A defesa de Fernando Henrique Dardis informou previamente que sua tese durante o julgamento será demonstrar que a conduta do acusado não tem ligação direta com a morte da paciente. Os advogados afirmam que basearão seus argumentos nas provas técnicas constantes nos autos do processo, tentando desvincular a ação do falso médico do óbito de Helena Rodrigues.
A TV TEM, afiliada da Globo na região, tentou contato com a advogada Leandra Ferreira dos Santos Bastos, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O caso continua a mobilizar a atenção da mídia nacional e da população sorocabana, que aguarda ansiosamente o desfecho judicial deste drama que mistura tragédia familiar, fraude profissional e tentativas reiteradas de burlar a Justiça.



